Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 01/08/2018

Abordagem correta

A série de TV “House of Cards” teve, no ano passado, o seu principal ator, Kevin Spacey, acusado de assédio sexual por membros da equipe de produção. O ocorrido, que culminou na demissão do ator, certamente serviu para dar mais ênfase às discussões acerca da conduta adotada por grande parte do sexo masculino perante o sexo feminino.

Segundo dados recentemente publicados pelo Datafolha, cerca de 42% das mulheres brasileiras relatam ter sofrido algum tipo de assédio sexual. Os casos relatados não se limitam a mulheres de apenas uma classe social ou etnia. De forma geral, as raízes históricas e ideológicas encontradas no Brasil influenciam diretamente na forma como a mulher é enxergada, sendo que em grande parte dos casos é vista como mero objeto sexual.

A constante e errônea abordagem do sexo feminino em publicidades televisivas, além da falta de iniciativas conscientizadoras nesse mesmo meio de comunicação, são fatores determinantes na manutenção da cultura machista verde-amarela. Todos esses costumes que submetem a mulher ao homem são determinantes no que tange à falta de empoderamento feminino, a exemplo de mulheres que sofrem assédio sexual, mas não denunciam por receio de represálias por parte de seu parceiro ou progenitor.

Embasando-se nos argumentos supracitados, ficam claras as dificuldades para a erradicação do assédio sexual. Para que essa seja efetiva, é válido, por parte das emissoras televisivas, o uso de seu alcance populacional na elaboração e perpetuação de propagandas em combate aos valores machistas. Ademais, fica como responsabilidade do Poder Legislativo agir junto ao Executivo, sendo aquele responsável por aumentar, em projetos de leis, as punições executadas por esse. Dessa maneira, possibilitar-se-á um definhamento dos valores históricos e ideológicos que estabelecem a desigualdade sexual.