Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 11/10/2018

No ano de 2018, diversas estudantes dos colégios Pensi utilizaram as redes sociais para denunciar as recorrentes práticas de assédio que aconteceram no local. Todavia, essa problemática não encontra-se apenas em tal rede de ensino, sendo frequentes os casos de insistências importunas sofridas mormente por mulheres. Dessa forma, fica evidente a importância da promoção do debate no que tange ao tema, a fim de expurgar a ocorrência.

A priori, convém citar o estudo do francês Émile Durkheim acerca da sociedade. De acordo com o mesmo, fato social é toda maneira de fazer, capaz de exercer sobre os indivíduos coerção exterior. Sob esse viés, é válido ressaltar que perseguir com insistência, atitude que se enquadra na definição de assédio, é a parte da cultura assediadora presente no Brasil. Dessa forma, pode-se relacionar tais práticas ao conceito do sociólogo, uma vez que essas atitudes se perpetuaram ao longo do tempo por fazer parte do meio cultural brasileiro.

Outrossim, sobre a cultura do assédio, cabe ainda mencionar que as principais vítimas desse importuno são as mulheres. Sobre esse assunto, cita-se a Segunda Onda do feminismo, cujo lema foi “O pessoal é político”, indicando que, ao logo da história, as mulheres tiveram seus corpos e sexualidades dominados pela moral patriarcal. Por isso, o corpo feminino foi visto de forma a servir o desejo masculino, o que explicita o porquê da ocorrência dos assédios. Ademais, sobre o movimento feminista, destaca-se seu caráter promotor de debates no que tange à sexualidade das mulheres, responsáveis por impulsionar diversas mudanças sociais.

Destarte, mediante aos argumentos apresentados, torna-se patente a necessidade de, assim como no feminismo, fomentar o debate acerca do assédio sexual, além de adotar medidas visando coibir o mesmo, para assim eliminá-lo do meio social de maneira progressiva. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em ação conjunta com Organizações não governamentais com viés feminista, a promoção de palestras em escolas com o fito de promover a conscientização dos infanto-juvenis sobre a banalização desse tipo de violência. Dessa maneira, será possível também desmantelar a cultura maléfica presente no país. Além disso, é imperativo que se veiculem nos principais meios de mídia, com financiamento do setor privado, propagandas educativas através de ficções engajadas, problematizando o assédio.