Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 07/08/2018

Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 26% dos entrevistados são a favor totalmente ou parcialmente da afirmação “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros.” A partir desse dado, nota-se como a culpa pelo assédio e outros tipos de violência é transferida para o lado feminino na sociedade brasileira, o que remonta todo o processo histórico de subjugação da mulher e evidencia o aspecto patriarcal na formação do Estado brasileiro. Desse modo, é necessário que os desafios para reduzir esses ataques sejam discutidos com afinco.

Em primeira análise, deve-se ressaltar o profundo caráter conservador do Brasil, que desde a sua formação luta para que toda e qualquer transformação ocorra aos moldes da sua elite machista, haja vista que foram necessários mais de 40 anos no regime republicano para o sufrágio feminino ser decretado, por exemplo. Assim, é possível associar toda essa persistência em não conceder o poder de voto às mulheres ao desejo latente de tratá-las como objeto atualmente, visto que ambos os fatos são amparados em opiniões tendenciosas e sustentadas por uma cultura que privilegia os homens.

Do mesmo modo, no momento em que alguém se organiza e toma a frente de algum projeto direcionado à defesa feminina, este quase sempre é reprimido por grupos misóginos, como foi o caso de Lola Aronovich professora da Universidade Federal do Ceará e feminista que sofreu ataques coordenados em seu blog feminista. Logo, é notório que isso reafirma mais um desafio para reduzir os casos de assédio sexual, que é o incômodo de algumas pessoas com a emancipação da mulher e a busca pelos seus direitos. Em consonância a isso, é importante delimitar as origens do Estado brasileiro, onde as elites, influenciadas por ideais iluministas e, portanto, machistas, haja vista que foi um processo histórico que não incluiu as mulheres, acabaram por incorporar ideais de exclusão e marginalização das mulheres, como aquele que gerou a Declaração dos direitos do homens e do cidadão após a Revolução Francesa.

Diante disso, conclui-se que existem inúmeros desafios para diminuir o assédio no Brasil e que este é um tema de suma importância para a qualidade de vida da mulher. Urge, portanto, que o Estado promova campanhas educativas abertas para o público nas universidades. Essas ações devem ocorrer em todo o território nacional por meio da intercessão da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, de modo que haja amplas discussões sobre o tema a fim de mitigar os casos de assédio no país. O teor desses debates deve seguir a lógica da afirmativa disseminada no carnaval de Salvador pelo Governo da Bahia: Depois do não, tudo é assédio. Dessa forma, os casos de assédio sexual serão reduzidos com a ação conjunta da sociedade e dos governantes.