Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 07/08/2018
“Mulher que nega, nega o que não é para negar, a gente pega, a gente entrega”. A letra da música Formosa, de Vinicius de Moraes, reflete o pensamento e o comportamento machista da sociedade, retratando a mulher de forma questionável, onde a letra é uma representação sintomática de uma sociedade sexista. Influenciado por uma lógica patriarcal, que concebe a mulher um caráter de objeto, o corpo social muitas vezes é excludente com as mesmas, chegando até mesmo a negar seus direitos.
O assédio sexual é um exercício de poder de uma pessoa sobre outra, que se vê “objetificada” e privada da sua dignidade. Define um conjunto de atos de importunação sexual, onde a pessoa assediada surge como um corpo disponível para ser comentado, olhado de forma incisiva e tocado. A estrutura patriarcal que coloca o homem como “superior”, serve de base para a construção de todos esses estigmas, onde a mulher, muitas vezes, é vista apenas como mecanismo de reprodução e não com o indivíduo dotado de vontade que ela realmente é.
Essa construção social, mostra-se, por demais problemática, ajudando a perpetuar e incentivando a violência e o abuso contra mulheres, gerando um universo caótico, no qual 9 milhões de mulheres sofreram abuso sexual nos últimos 12 meses e que 99% das mulheres entrevistadas já foram assediadas em algum momento da sua vida, segundo a ONG Kering Foundation. Dados como esses mostram o ambiente hostil a qual as mulheres estão submetidas, além de mostrar a ineficiência da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a igualdade de gênero.
Diante dos fatos e dados supracitados, é inegável que inúmeros são os desafios para a redução dos casos de assédio sexual. Se faz necessário uma maior repressão por parte do Estado, onde o Ministério Público deve conceder mais autonomias para a Delegacia da Mulher, ficando as mesmas responsáveis por gerir todas as esferas penais dos delitos que a compete, assim agilizando os casos, possibilitando uma coibição mais eficaz. No âmbito da prevenção, se faz necessário desconstruir todo o estigma do machismo, sendo necessário que o Ministério da Educação desenvolva campanhas de conscientização nas escolas, onde por meio de debates abertos com psicólogos e sociólogos o sexismo seria descontruído junto aos estudantes, possibilitando a criação de uma consciência coletiva de respeito ao próximo.