Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 11/08/2018
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o assédio que as mulheres sofrem diariamente no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisarmos as consequências de tal postura para a sociedade.
É indubitável que a cultura do estupro que naturaliza comportamentos que fere a liberdade das mulheres esteja entre as causas do problema. A empresa YouGov, líder internacional de pesquisa de mercado, divulgou em 2016 que 86% das mulheres brasileiras já sofreram assédio em público, isso ocorre nas ruas, no trabalho, na escola, no transporte público etc. Os homens, ao se sentirem à vontade de abordar as vítimas de qualquer forma, atenta contra o direito de ir e vir que também pertence as mulheres, que se sentem impotentes na maioria das vezes não reagindo, pois nunca se sabe como o homem lidará com a rejeição.
Outrossim, destaca-se o machismo impregnado na sociedade brasileira como impulsionador do problema. “O homem é definido como ser humano e a mulher, como fêmea”, disse Simone de Beauvoir, escritora e filosofá. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o comportamento do homem e da mulher são julgados de forma diferentes, de forma que a mulher é apontada na maioria das vezes como a culpada por ter sofrido assédio, seja por sua vestimenta ou lugar que esteja, sendo sua denúncia não legitimada desde do início.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir o respeito à mulher enquanto individuo, enquanto ser humano que ela é. O Estado, por seu caráter abarcativo deverá promover políticas públicas que visem punições mais rígidas aos assediadores. Além, do Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras que discutam o combate ao assédio, afim que fixe as duas palavras chaves: consenso e respeito.