Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 13/08/2018
O assédio é uma violência de gênero brutal, que pode ser caracterizada pela violência física e mental, como, por exemplo, a coerção, quando se força uma pessoa a fazer o que não deseja. Cerca de 86% das mulheres brasileiras já foram assediadas em público, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto YouGov, em relação as formas de assédio sofridos publicamente, o assobio é o mais comum (77%), seguido por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Existem muitos desafios que a vítima enfrenta, dentre eles, podemos citar a opressão de gênero e opressão de classe.
Na época do Brasil Colonial, a Igreja Católica exercia forte pressão sobre o adestramento da sexualidade feminina, pois segundo seus fundamentos, o homem era superior, e portanto cabia a ele exercer a autoridade. Por definição, a mulher estava condenada a pagar eternamente pelo erro de Eva, a primeira fêmea, que levou Adão ao pecado e tirou da humanidade futura de gozar da inocência paradisíaca. Atualmente, é possível citar a cultura do estupro como opressão de gênero, uma vez que também banaliza, legitima, e justifica a violência contra a mulher, ao mesmo tempo que homens sentem o direito de cometer violência sexual. No Brasil, as mulheres foram dominadas desde o descobrimento do país, e infelizmente são até hoje, o que mostra que o assédio é um problema cultura e social. Em muitos casos de assédio sexual, existe uma relação de poder entre o assediador e a vítima, não apenas a opressão de gênero, como também a opressão de classe. De certo, muitas mulheres que são assediadas no local de trabalho não denunciam o agressor por acreditar que a denúncia não surtiria efeito, embora seja um ato discriminatório que viola o direito dessas trabalhadoras, muitas, por medo de perderem o emprego ou se exporem, acabam aceitando a situação. Além disso, nos últimos 2 anos vários homens da elite americana foram acusados de assédio sexual publicamente e, embora alguns tenham sido demitidos, nenhum chegou a ser preso, outros saíram impunes, homens influentes como o atual presidente Donald Trump, o produtor Harvey Weinstein, e Bill O’Reilly um famoso apresentador que chegou a fazer um acordo de 32 milhões para barrar uma denúncia. Logo, é necessário por um fim nessa impunidade, as empresas devem se comprometer à habilitar canais para denúncias no local de trabalho, como medida preventiva e com o intuito de que mulheres possam denunciar sem medo de represarias ou impunidade. Ademais, é preciso haver um engajamento social, com o propósito de lutar contra desigualdades entre homens e mulheres socialmente, começando no âmbito familiar até atingir as autoridades públicas, a fim de alcançar uma sociedade mais igualitária, informada e consciente, desse modo, os casos de assédio passarão a diminuir.