Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 15/08/2018
Sua, não de quem quiser.
De Brigitte Bardot à dependente química que vaga pelas ruas de São Paulo. O assédio sexual se faz presente na vida de muitas mulheres de forma independente de sua situação financeira ou nível de instrução. Esse é um problema que persiste no Brasil como um desafio de proporções e danos absurdos. Entretanto, sabe-se que tal situação se acentua pela existência de uma cultura que, nesse sentido, privilegia a classe masculina ao passo que oprime e machuca o público feminino.
Em primeiro lugar, há no país a ideia de que as ações das meninas podem justificar atos sexuais abusivos. A prova disso está no resultado da pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que afirma que 58% dos brasileiros acreditam que se as mulheres soubessem como se comportar, haveriam menos estupros. Esse pensamento repercute na queda das denúncias dessas agressões, uma vez que as vítimas, por receio de julgamentos, optam por manter o silêncio.
Ademais, colocações machistas podem ser ouvidas cotidianamente nas ruas, locais de trabalho, na mídia e em outros lugares. A fala do deputado federal Jair Bolsonaro, por exemplo, ao afirmar que a também deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada por não fazer seu “tipo” causou polêmica, todavia, representou uma realidade bastante comum no dia-a-dia de muitas. Atitudes como a do político são, pois, capazes de causar prejuízos irreparáveis às vítimas.
Dessa forma, vê-se a necessidade do combate à cultura machista brasileira. Isso poderia se efetivar através de uma reeducação familiar que estivesse baseada na luta pela igualdade entre os gêneros, o que garantiria às mulheres mais respeito ao saírem nas ruas. Além disso, o incentivo à denúncia de crimes sexuais por meio de campanhas e palestras promovidas pelo Estado contribuiriam no encorajamento das vítimas. Isso seria capaz de diminuir o número de casos de assédio. Assim, se tornaria viável a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.