Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 20/08/2018
O final do século XIX e o início do século XX foram marcados pela ascensão das lutas feministas. Nos Estados Unidos e Europa, as mulheres pretendiam conquistar o direito ao voto e melhores condições de vida e trabalho. Desse modo, instituiu-se o Dia Internacional da Mulher com o intuito de simbolizar sua batalha por direitos. Na época atual, no Brasil, a data é comemorada todos os anos. Contudo, os direitos das mulheres são violados no cotidiano por meio de uma cultura que valida o assédio sexual, contribuindo para o cenário de violência à mulher no país.
O assédio sexual contra a mulher é derivado de diversos fatores sociais, culturais e históricos brasileiros, que têm como característica a objetificação do corpo feminino. Sob essa ótica, com seus méritos reduzidos ao teor sexual, mulheres sofrem diariamente ataques verbais e físicos sem consentimento. Dessa forma, elas têm a dignidade humana ferida, princípio, que, em teoria, é garantido pela Constituição Federal (CF). Observa-se que, apesar das conquistas dos últimos anos, a maioria das mulheres vive à margem de seu direito.
Paralelamente, instaura-se a cultura permissiva do assédio sexual às mulheres, que ameaça outra garantia disposta na CF: o direito à vida. A aceitação de comportamentos problemáticos servem de base para que ocorra uma série de consequências nocivas para a mulher e o meio onde vive, como agressão, estupro e óbito. Atualmente, o cenário de violência contra a mulher no Brasil é preocupante: de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), é o 5º país onde mais ocorrem feminicídios no mundo. Dessa forma, a permissividade do assédio sexual é diretamente proporcional às mortes de mulheres no Brasil.
Portanto, o assédio sexual afeta os direitos da mulher enquanto ser humano, e sua permissividade deve ser combatida no país. Os grandes setores que regulam a sociedade devem agir em conjunto no âmbito da conscientização. O Estado pode investir na Educação ao introduzir a temática para ser discutida nas escolas e colégios, enquanto as corporações responsáveis podem diminuir e, eventualmente, eliminar a objetificação sexual da mulher na mídia (propagandas, televisão, etc). Assim, a mulher brasileira poderá se sentir segura e travar suas novas batalhas em busca da totalidade de direitos.