Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 03/10/2018

Durante a Antiguidade, na cidade chamada Esparta, era comum o abuso sexual praticado em crianças, com o objetivo de “prepará-las” para a vida adulta. Nesse sentido, no Brasil, hodiernamente, essa prática ainda persiste, com alteração apenas do contexto, visto que nos dias atuais é frequente o assédio, seja moral ou físico, majoritariamente, contra mulheres. Logo, é um paradoxo admitir que atos como esse ainda existam em uma sociedade considerada “evoluída” e que se constituam como um bloqueio para o desenvolvimento social brasileiro.

Convém destacar, a priori, que a cultura machista é uma das principais causas favoráveis à manutenção dos casos de assédio sexual no país. Essa conjuntura facilita a vitimização do agressor e julga o valor da mulher baseando-se nas condutas morais e sexuais desta; dessa maneira, a figura feminina é vista como culpada por “despertar” o desejo sexual no homem. Outrossim, o medo das ameaças e outras intimidações do subordinador é outro desafio para sanar o problema supracitado. Isso ocorre pois, na maioria das vezes, o agressor é alguém próximo, que se encontra frequentemente em contado com a vítima, por exemplo no trabalho, na vizinhança, na roda de amigos ou até mesmo na família.

Em consequência disso, as mulheres têm seu direito à dignidade - assegurado pela Constituição Federal Brasileira - desrespeitado em razão de ser apresentado apenas teoricamente. Nesse sentido, é evidente a inoperância do aparelho estatal no combate ao assédio sexual e, por conseguinte, na garantia dos direitos à pessoa agredida. Dentro dessa lógica, assim como cita o físico Isaac Newton, um corpo não altera seu estado caso uma força maior não atue sobre ele. De modo análogo, a situação problemática citada anteriormente só será solucionada com uma planejada interferência, por meio da proposta a seguir.

Diante do exposto, para isso, cabe ao Poder Público, aliado às esferas estaduais e municipais, promover a reversão da cultura machista na sociedade brasileira, assim como garantir bem-estar e segurança de todos os segmentos sociais. Isso será feio por meio da elaboração de campanhas midiáticas, reproduzidas nas redes sociais, na rádio, na televisão (principalmente em horário nobre) e até mesmo em cartilhas. Para tanto, essas divulgações terão mensagens de incentivo às denúncias contra os agressores, assim como de depoimentos baseados em fatos reais, com o uso de imagens fortes, a fim de causar maior impacto no público e, dessa forma, provocar uma reflexão tanto no possível subordinador, como na vítima e em outros que presenciam a violência. Assim, o assédio sexual deixará de ser um empecilho para a evolução social do Brasil.