Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 03/09/2018
O livro “Fale”, de Laurie Halse Anderson, traz à tona a questão do abuso sexual por uma jovem de 13 anos após ter sido estuprada em uma festa do colégio, os medos e o silêncio fez parte de uma longa trajetória de sua vida. Todavia, além das obras literárias, o abuso sexual sofrido por mulheres faz parte da atual realidade brasileira, tornando-o um problema que precisa ser resolvido com urgência, sendo necessário analisar a suas causas a fim de solucioná-lo.
É importante pontuar, de início, as relações humanas como impulsionadora do impasse. Conforme Zygmunt Bauman e seu conceito de “modernidade liquida”, vive-se em uma época marcada pela rapidez e fragilidade das relações sociais, em que o individualismo predomina sobre o coletivo e o homem se torna egoísta e pouco preocupado com sentimento alheio. Seguindo essa linha de pensamento observa-se a falta de discussão do problema, principalmente no âmbito escolar e familiar onde é nulo o debate sobre o assunto. Em decorrência disso, mulheres que sofreram abuso sexual, tem medo de denunciar o agressor e com isso desenvolve problemas como depressão e síndrome do pânico por achar o isolamento é a única maneira de acabar com a moléstia sentida. Nesse contexto vale ressaltar, que o medo impede denúncias de abuso sexual, diz delegada do estado do Paraná, quando o abuso vem de alguém próximo, o medo é maior e não tem denúncia. Assim, boa parte das mulheres enfrenta o abuso calada com medo do agressor.
Outrossim, é notório que a mídia esteja entre as causas de questão. Segundo Karl Marx, os meios de comunicação em massa controlam e influenciam o pensamento e o comportamento social, causando a mídia a ocultar a tamanha demanda de vítimas de abuso sexual. Dentre isso, vale ressaltar, ainda que, segundo as comprovações do jornal Estadão de São Paulo, argumenta que no estado houve 400 casos de abuso sexual no transporte público e a mídia só expôs 10 casos. Sendo assim, a mídia precisa quebrar esse silêncio, esse é o primeiro passo para que se saiba a magnitude do problema e possa ser resolvido.
Entende-se, portanto, que tanto a influência social, quanto a influência midiática contribuem para a dificuldade de diminuição nos casos de assédio. A fim de atenuar esse problema, faz-se necessário que os Ministérios da Educação junto com os estagiários da área jurídica, abram debates de novas leis que podem ser criadas para punir o agressor, e estimular o debate no âmbito familiar e escolar. Além disso, a mídia junto com ONG’s deve abordar como lidar com um agressor no transporte público e expor e não omitir os casos de abusos no Brasil. Desse modo, os desafios para reduzir os casos de assédio sexual no Brasil, serão gradativamente minimizados.