Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 30/09/2018
Semelhante a Maria Moura, personagem icônica de Rachel de Queiroz, as mulheres do século XXI não mais toleram a violência. Contudo os inúmeros episódios relatados na imprensa brasileira demonstram que há desafios para a redução dos casos de assédio sexual feminino.
Indubitavelmente, o assédio sexual no Brasil possui raízes profundas e históricas. Em um país, onde somente há pouco mais de cem anos, as mulheres tiveram direito ao voto, não é de se estranhar a objetificação dessas. Para uma grande parcela da população brasileira, a mulher ainda é dependente e subalterna ao homem. Desse modo, como um objeto, ela tem o dever de aceitar as investidas sexuais. Com o empoderamento feminino, os casos de assédio vieram à tona. Para muitos especialistas no assunto, o aumento de registros é normal quando se propõe o controle.
De acordo com o historiador Leandro Karnal, uma sociedade patriarcal demanda tempo, ações educativas e até mesmo atitudes rigorosas para mudança de perfil. Nessa sociedade, tanto homens quanto mulheres comungam de pensamentos e atitudes machistas. Logo, a coletividade tolera assovios, palavras inconvenientes, toques sem consentimentos, atitudes explícitas de prazer masculino. A maioria das mulheres não reagem ao assédio por medo de um assediador que se torna gigante com a ideologia predominante na sociedade.
Contrariando o que muitos pensam, esse tipo de assédio também se faz presente em países desenvolvidos. Na França, o Estado criminalizou e penalizou, no mínimo com multas, ações masculinas assediadoras. Nos Estados Unidos, há denúncias de assédio sexual pelo atual presidente, além de diversos casos envolvendo políticos, juízes, médicos, religiosos. Não importa o país ou o nível social, o ser feminino nasce com desafio da luta diária contra a violência que o caracteriza como ser passivo. Com a revolução feminina, a imprensa e principalmente com a tecnologia, o cenário parece estar em mudança. Atualmente, no Brasil, foi sancionada a lei de importunação sexual, tornando-a crime, com aumento considerável da pena.
Dessarte, o Brasil não pode mais tolerar essa distopia. O sexo feminino merece respeito, conforme a Constituição Federal brasileira. Para garantia do direito, o Estado, em ação conjunta com diversos setores, precisa investir em educação e conscientização da sociedade. Ações educativas, em escolas e demais instituições, são necessárias para detecção e denúncia do assédio sexual. Além disso, o Estado precisa estar sensível às denúncias, há de investigá-las e deve punir os criminosos. Por fim, a sociedade, como um todo, não deve mais tolerar atitudes de assédio sexual como algo normal, inerente ao homem que é homem. A mudança é lenta e dar-se-á às futuras gerações.