Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 27/09/2018

Cantada. Esse é o eufemismo utilizado pelos assediadores para justificar sua conduta desrespeitosa. Embora existam meios de denúncia, e instituições especializadas em combater o assédio, o número de casos observados continuam alarmantes. Assim, a problemática persiste intrinsecamente relacionada à realidade, seja por conta da ausência de uma educação voltada ao respeito na sociedade, seja pela falta de medidas punitivas eficientes aos praticantes do assédio.

Convém ressaltar, a princípio, que a escassez de uma atenção com teor educativo aos cidadãos está entre as causas para a persistência do viés. Em decorrência disso, expressões de cunho constrangedor, e contatos físicos sem permissão, dentre outras práticas banais, continuam a ocorrer, uma vez que não há um respeito enraizado no caráter de muitas pessoas. Segundo pesquisas, 85 a cada 100 mulheres alegam que já tiveram seus corpos tocados sem permissão em ambiente público. Dessa forma, é necessário que haja uma mudança nos valores da sociedade.

Outrossim, destaca-se a impunidade dos assediadores como um impulsionador para a persistência da vicissitude. Para a filósofa Hannah Arendt, em “Banalidade do mal”, o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro. Com base nisso, torna-se imprescindível a adoção de medidas mais rigorosas para a condenação dos casos de assédio, haja vista que se tornaram comportamentos frequentes.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para que a extinção da cultura do assédio possa se concretizar. Destarte, a escola, em parceria com a família, deve preconizar aos alunos a ideia do respeito ao próximo, por intermédio de conversas individuais, palestras e dinâmicas, visando consolidar atitudes anti-assédio em seus caracteres, de forma a possibilitar a construção de um corpo social mais educado. Além disso, cabe ao Ministério da Segurança Pública ofertar uma ouvidoria pública online que receba denúncias anônimas de assédio, com o fito de facilitar as denúncias recebidas e, consequentemente, o julgamento dos assediadores.