Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 30/09/2018

Assobios. Medo. Cantadas. Manipulação. Impunidade. Apesar das ações e sentimentos descritos anteriormente também fazerem parte deste contexto, ao se tratar de assédio sexual - prática, infelizmente, presente no cotidiano brasileiro - a palavra chave é: inaceitável.

Um dos principais desafios para a redução dos casos de assédio sexual é o desconhecimento da po-pulação a respeito do que se trata o assédio. Muitas pessoas creem, erroneamente, que tal prática se resume apenas às mulheres, que possui um local específico para ser considerada e que se trata apenas de casos mais “graves”, que envolvam contato físico. Um meio de mudar essa realidade seria por meio da criação de projetos que atuariam tanto no âmbito escolar - por meio de palestras socio-educativas a serem realizadas não só por psicólogos, mas também por vítimas e agentes do processo legal de denúncia, a fim de instruir os pequenos cidadãos a reconhecerem que o assédio  vai desde sons e palavras ofensivas, até violação sexual.

Além disso, vale ressaltar que diversos casos de assédio acontecem na própria casa da vítima e na escola. No âmbito escolar, esses casos, muitas vezes, não são denunciados devido não só  a ameaças e manipulações com relação às notas, mas também a pouca efetividade da coordenação pedagógica - a qual muitas vezes “consente” com a prática, negando sua ocorrência, a fim de evitar escândalos ou assume uma postura que coloca a vítima em uma posição desconfortável, como, por exemplo, colocá-la frente a frente em uma sala com seu assediador para que eles possam “resolver a questão”. No âm-bito familiar, diversos casos de assédio não são relatados não só por medo dos familiares não acreditarem na vítima e culpá-la, mas também por esses, muitas vezes, assumirem um compromisso de fazerem justiça com as próprias mãos. Tal postura intimida quem sofreu o assédio, uma vez que pre-ferem não denunciar a colocarem sangue nas mãos de pessoas com importância sentimental para elas. Vale ainda ressaltar que 60 a 70% dos casos de violência acontecem dentro de casa, dado exem-plificado, por exemplo, pelo livro As vantagens de ser invisível, no qual Charlie (personagem principal da trama) foi molestado por sua tia quando criança.

Somado a isso, há o assédio recorrente nos transportes públicos, nos quais diversas pessoas são submetidas a situações, no mínimo, constrangedoras. Um modo de reduzir esse problema, seria a con-tratação de cobradores e policias infiltrados, os quais seriam treinados para lidarem com possíveis si-tuações de assédio sexual, com a finalidade de desencorajar qualquer um que possa cometer o ato, bem como assegurar a segurança e a dignidade de todos.