Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 03/10/2018
É notório que, em locais onde a disparidade social domina, o assédio, moral ou físico, é mais evidente, como é o caso da África, em que o estupro tornou-se uma questão cultural desde que a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) marcou presença contínua. No Brasil, situações dessa natureza também ocorrerem diariamente contra homens e, principalmente, mulheres. Porém, há um descaso, por parte do Governo e da sociedade, o qual corrobora para com a perpetuação de um modelo arcaico, em que a submissão é um fator determinante.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, de acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), assédio é um ato de insinuação, convite impertinente e contato físico forçado, desde que humilhe, insulte ou intimide a vítima. Tal circunstância se tornou parte do cotidiano de muitos brasileiros, majoritariamente das mulheres, visto que a sociedade preza por ideais conservadores que se sobrepõem à realidade. Prova disso foi a entrevista com a esposa do presidente Michel Temer, realizada pela revista Veja, a qual é intitulada de “bela, recatada e do lar”. Essa chamada unifica o papel da mulher, o que sustenta a visão machista de que aquelas que fugirem ao padrão são propícias ao abuso.
Além disso, segundo a Constituição Federal de 1988, o ir e vir é um direito de todos e é dever do Estado garanti-lo. Entretanto, a constante possibilidade de violência nas ruas, seja física ou verbal, diminui a liberdade dos cidadãos, já que existe um medo de realizar determinadas atividades fora do lar. Tal fato, atrelado a banalização do assédio, naturalizou ações recorrentes, como as cantadas, puxadas no cabelo e as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual. Nesse sentido, campanhas de conscientização são necessárias, a exemplo de “Meu Primeiro Assédio” e “Vamos juntas?” que percorrem pelas redes sociais, com o intuito de denunciar as opressões, trocar experiências e atrair a atenção da mídia e das pessoas para conterem esse mal.
Fica claro, portanto, que a cultura do assédio no Brasil é um problema que deve ser combatido. Diante disso, é preciso que as escolas, em parceria do Ministério da Educação, conscientizem os jovens, desde os anos iniciais, por meio da educação sexual, moral e psicológica, que pregue o reconhecimento e aceitação da diversidade presente na comunidade e, ademais, ensine a importância do diálogo, caso o assédio ocorra, a fim de amenizar esse tipo de violência àqueles que são mais vulneráveis, beneficiando a sociedade e auxiliando a construção de um espaço mais seguro.