Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 29/09/2018
No Brasil, a complexa e dilemática questão a respeito do assédio sexual alerta a sociedade sobre uma cultura machista e arcaica presente hodiernamente. Frente a esse dilema, analisa-se que os preconceitos contra as mulheres perpetuam fortemente nos dias atuais, e, ainda, a falta de visibilidade e denúncias nas mídias a cerca do molestamento sexual provoca uma reflexão social sobre atitudes éticas e morais dos homens, além de colaborar para uma desconstrução da busca pelos direitos femininos.
Em uma primeira abordagem, é válido mencionar os avanços sociais na luta pela conquista de espaço feminino em uma sociedade construída solidamente baseada em normas machistas. Entretanto, há ainda muitas áreas para serem desbravadas pelo sexo feminino e uma delas é os desafios para reduzir os casos de assédio sexual, lamentavelmente, os índices mostram que cerca de 85% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de abuso seja ele psicológico, sexual ou verbal, segundo dados divulgados pelo portal G1. Relacionado a isso, os pensamentos retrógrados de dominação masculina contribuem para a disseminação de intolerância, repressão e autoritarismo contra as mulheres, indubitavelmente, esse flagelo social é uma afronta a liberdade de expressão.
Ainda nessa linha reflexiva, a pouca visibilidade, divulgação e denúncias sobre molestamento sexual contribui para o fortalecimento desse tipo de atitude abominável. Aliado a isso, o opressor não seria tão forte se não houvesse cúmplices entre os oprimidos, o silêncio de vitimas e espectadores das ações intoleráveis ajuda a perpetuar esse tipo de comportamento, segundo os pensamentos de Simone Beauvoir. Ademais, a falta de importância desse tipo de tema na mídia brasileira coopera para a desqualificação da luta dos movimentos feministas, além de não auxiliar na busca pela quebra dos paradigmas sociais impostos historicamente as mulheres.
Portanto, para atenuar os casos de abusos e assédios sexuais, é plausível a luta política e social por uma implementação de debates éticos e morais feitos pelas faculdades de ciências sociais e psicologia, com o objetivo de administrar mesas redondas e palestras abertas ao público em geral sobre o combate ao machismo, preconceito e o fortalecimento de ações de liberdade de expressão feminina, além de contribuir para a disseminação de ideias éticas e morais no âmbito social. Além disso, é urgente a criação de campanhas midiáticas feitas por ONG’s feministas com apoio das secretárias municipais de direitos humanos, com o intuito de criar cartazes, folhetos, propagandas em rádio, internet e televisão divulgando informações a respeito dos direitos das mulheres e como denunciar e reconhecer um abuso. A implementação dessas medidas poderá ajudar a construir uma sociedade mais justa e igualitária, além de desconstruir pensamentos retrógrados.