Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 29/09/2018
O confronto pela emancipação feminina
O livro Madame Bovary, lançado em meados do século XIX, tece críticas a uma coletividade alicerçada em preceitos seculares inferiorizantes da condição feminina ao desconstruir a mulher idealizada. A luta por essa quebra se faz presente até a atualidade, a sociedade do futuro cresce com os moldes do passado; a cultura enraizada fundamentalmente machista é utilizada como ferramenta por homens para exortar o lado mais vil do ser humano, ao menosprezar e assediar mulheres como forma de engrandecer o próprio ego. Independente de cor ou nível social, a violência é direcionada a todas.
Diante dessa conjuntura, fatos históricos revelam fundamentações patriarcais preconceituosas impostas às mulheres, subjugando-as, como a revolução cultural iraniana, a qual determinou por lei a superioridade masculina e instituiu restrições a estas, da indumentária aos postos de trabalho ocupados. Circunstâncias absurdas como essa varrem a história e auxiliaram a fomentar a percepção esdrúxula do poder dos homens sobre o sexo feminino, os quais se utilizam disso para assediá-las sexualmente como forma de demonstrar autoridade, não as considerando seres autônomos, com vontades e desejos próprios.
Ademais, as ocorrências de violência sexual não estão restritas a uma determinada camada social, mas sim presentes em todos os estratos, seja nos estúdios de grandes estrelas de Hollywood, como revelado no caso Harvey Weinstein, ou em ônibus, diante do crescente número de denúncias de casos nos quais mulheres relatam o assédio sofrido. No entanto, o número de denúncias a alcançarem conhecimento público (e da Justiça) é ínfimo, muitas vítimas persistem em um breu encoberto pelo pavor por temerem pelas próprias vidas; homens continuamente impõem-se frente às suas esposas utilizando-se do abuso físico e terror psicológico, ao impedir inclusive a atividade laboral externa por parte delas. A escritora Simone de Beauvoir, ídolo feminista, aponta o trabalho como forma de emancipação feminina e único meio a garantir-lhe uma independência concreta.
Por fim, mudanças são requeridas para alcançar justiça para o sexo feminino. Cabe ao governo, por meio do poder legislativo, o incentivo constante à criação de leis protetoras, como a Maria da Penha e a mais recente de punição à importunação sexual na rua, com severas penas aos infratores. Além disso, a instituição da participação igualitária de homens e mulheres, determinados por regimento, em cargos de poder nos ministérios; o poder executivo seria responsável por uma campanha de ampliação de delegacias de apoio às mulheres, frente a escassa quantidade destas nos interiores dos estados, e auxílio às vítimas de abuso com a sua realocação para outras localidades quando lhes for conveniente.