Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 01/10/2018

Com o assentamento das comunidades sedentárias tem-se o início do patriarcalismo, esse sistema possibilitou um amplo desenvolvimento do androcentrismo. Desta forma, a mulher foi subjugada em sociedade, dando origem a comportamentos anômalos como o sexismo, a misoginia, a objetificação sexual e em seu ápice o feminicído, tornando-as suscetíveis aos assédios sexuais e as violações de sua integridade. Sendo assim, faz-se necessário avaliar os fatores que contribuem com a perpetuação desse quadro, inegavelmente forte, ainda presente na sociedade brasileira.

Convém ressaltar, a principio, que a raça humana foi reduzida ao “homem”, à medida que somente as experiencias masculinas foram consideras. Assim, a mulher foi socialmente fragilizada, favorecendo o surgimento de comportamentos que as diminuíssem ou as afetassem negativamente, como o sexismo e a misoginia. Em consequência disso, surgiram esteriótipos e padrões estéticos irreais, que inferem diretamente em como elas serão vistas em sociedade. Ademais, os meios de comunicações apresentam as mulheres, constantemente, como um meros objetos sexuais, com destaque às campanhas publicitárias e suas propagandas de cervejas. À medida que a imagem da mulher é banalizada, ocorre um processo de desumanização da mesma, ou seja, ao serem objetificadas, criam-se noções de que elas podem ser usadas, abusadas ou descartadas, como descartadas. Segundo dados do Datafolha, 40% das mulheres brasileiras já sofreram assédios sexuais e a cada hora 500 são vítimas de agressões físicas, essas estatísticas comprovam todo o exposto.

Além disso, as mulheres enfrentam uma batalha diária, visto que são assediadas em ambientes públicos e privados, muitas vezes, os assediadores saem impunes, já que são poucos os casos notificados, e várias temem as consequências da denúncia. Haja vista que parte dos assédios ocorrem no trabalho e, geralmente, são praticados pessoas hierarquicamente superiores, afim de obterem favorecimento sexual. De acordo com pesquisa realizada pela ComRes, no Reino Unido, 53% delas já foram assediadas no trabalho e 67% das vítimas não denunciaram o ocorrido. Nesse contexto, entende-se que é imprescindível que ações sejam tomadas de forma que reduza os casos.

Portanto, uma solução viável ao problema apresentado, seria por meio de uma intervenção do Estado, criando dias específicos no ano letivo, em colégios públicos e privados, o projeto “Respeito às Mulheres”.  Nele, os jovens participariam de palestras, com exposições sobre o assédio sexual e seus danos, afim de serem conscientizados. Seria necessário, também, a criação de regulamentações publicitárias, fiscalizadas por órgãos estatais, com o propósito de vetar propagandas que sexualizam e objetificam a mulher, aproximando-as de gozar plenamente de sua liberdade sem serem assediadas.