Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 01/10/2018
Movimentos feministas garantiram a implementação da parcela feminina como agente ativo na esfera social. No Brasil, passeatas e manifestações foram capazes de transformar concepções arcaicas e patriarcais, garantindo o direito de voto e trabalho para as mulheres. Hodiernamente, o assédio sexual efetivado por práticas culturais e letargia na denúncia dos casos se põe como mais um problema a ser enfrentado.
Convém ressaltar, a princípio, o conceito apresentado pelo filósofo Émile Durkheim, em que ações, ainda que retrógradas e ofensivas, repetidas socialmente, são assimiladas pela população, que tende a considerá-las normais. Nesse sentido, o assédio sofrido por mulheres nas ruas se torna algo inerente ao convívio, visto que a parcela masculina não considera tal ato como degradante ao sexo oposto.
Em segundo plano, vê-se que, no âmbito social, as mulheres têm medo da exposição ao confrontar um assediador. Dessa forma, a ação de aproximação forçada em metrôs, ônibus ou até mesmo em ambientes de trabalho não acarreta denúncia por parte de quem sofre o assédio ou quem presencia. Em consequência, apenas 50% dos casos de estupro são reportados no Brasil, revelando que mais de 250 mil assédios acontecem anualmente sem que haja punição ao agressor.
Em síntese, depreende-se que a cultura do assédio instaurada no Brasil exige imperiosa ação social em seu combate. Em vista disso, é de vital importância a parceria entre ONG’s de representatividade feminina e a Mídia - com sua ampla propagação de informação - , evidenciando em campanhas publicitárias o desconforto causado pelos comentários e assovios nas ruas, informando, em consonância, que tal prática é criminosa, possibilitando assim a diminuição do assédio sofrido nas ruas. Além disso, o Estado, por meio da Secretaria de Segurança, deve tornar obrigatório o uso de placas e avisos incentivando a denúncia de aproximações e atitudes indevidas em empresas e transportes públicos com o fito de diminuir, enfim a impunidade.