Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 03/10/2018

Na serie de televisão americana “13 Reasons Why”, a personagem Hannah Baker é estuprada por Bryce, um colega de turma, que justificou seu ato pelo fato de ela estar bêbada e não ter negado. Fora do contexto cinematográfico, os casos de assédio sexual crescem de forma exponencial no Brasil. Impasses como a objetificação da mulher e a falta de punição governamental tornam ainda mais difícil o combate a problemática.

Em primeira análise, a imagem da mulher como objeto serve de base para os casos de assédio. Assim como uma rocha sedimentar, que é moldada a partir de pequenos fragmentos em um longo período de tempo, a idéia de inferioridade feminina ao longo da história contribuiu para o agravamento do problema. Na Idade Média, a título de exemplo, as mulheres eram utilizadas para satisfazer as necessidades sexuais masculinas. Caso não quisessem, eram estupradas e consideradas culpadas pela ação. Isso retrata o fortalecimento do machismo na sociedade, que é usado até os dias vigentes como forma de justificar ações invasivas contra o sexo oposto.

Do mesmo modo, a omissão estatal também surge como um empecilho. Em um de seus pensamentos, Aristóteles cita que o Estado existe em prol do bem e da vida do cidadão. Entretanto, dados da organização “Chega de Fiu Fiu” mostram uma realidade divergente à citação aristotélica: mais de 85% das mulheres retratam que já tiveram seus corpos tocados sem consentimento. Essa estatística aborda que mesmo o assédio sendo crime, a sensação de impunidade provocada pela inoperância estatal faz com que os índices de casos entrem em ascensão constante.

Dessa forma, diante dos fatos mencionados, é necessário a tomada de medidas para combater o impasse. O Ministério da Educação, em parceira com as escolas, devem realizar aulas e feiras educativas com os alunos para abordar as formas de identificar e combater o assédio sexual no dia a dia, além de discutir sobre o machismo, a fim de desconstruir a objetificação em torno da mulher. Paralelo a essa medida, cabe às prefeituras incentivar ouvidorias para registros de ocorrências, com propósito de garantir a aplicabilidade da lei, investigar e punir cada caso. Dessa forma, será possível evitar que situações como a de Hannah ultrapassem cada vez mais o mundo fictício.