Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 03/10/2018
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de instabilidade nas relações sociais políticas e econômicas é fruto da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Tal teoria evidencia as relações sociais marcadas por superficialidade e fluidez que colabora com a atual cultura de assédio no Brasil. Nesse contexto, a falta de denuncia de agressores coadjuvante com a falta de repressão da população contra esses costumes são alguns dos fatores que contribuem, substancialmente, para o difícil combate ao assédio.
Nessa perspectiva, é preciso analisar, antes de tudo, que ainda há dificuldades para denunciar e identificar os agressores movidos pela cultura de estrupo machista que ainda persiste na sociedade pós-moderna. Sob esse viés, tal infortúnio se configura pois historicamente o machismo patriarcal colocarem a mulher submissa ao homem e também como um objeto de empoderamento masculino. Sem dúvida, hoje a sociedade contemporânea não apresenta-se diferente dos tempos anteriores pois diariamente casos de estrupo e assédio são relatados em delegacias, porém esse pequeno número de registros são apenas um pequeno espaço amostral dos casos ocorridos porque grande aparte das mulheres acabam se negando a fazer um boletim de ocorrência devidos aos agressores poderem ser, por exemplo, algum parente próximo ou amigo e não querem causar um conflito familiar. Desse modo, a falta de denuncia dos agressores acaba influenciando diretamente para o crescimento da cultura assediadora, que deve ser combatida ferrenhamente.
Outrossim, é notório que o silêncio da população diante de situações de abuso sexual colabora para a solidificação dessa cultura vil. Isso se configura devido as pessoas estarem cada vez mais despreocupadas com o que o seu próximo esteja vivenciando, contribuindo, dessa maneira, para que agressores possam agir sem sofrerem qualquer tipo de repreensão popular. Dessa maneira, nota-se um exemplo disso nos recorrentes casos de abuso sexual em ônibus e praças públicas sempre acompanhados de assobios (fiu-fiu) e palavras maliciosas que ferem a dignidade da vítima e os que estão por perto ficam inertes e insensíveis a tais situações. Desse modo, é necessário combater o assédio e a premissa de Sigmund Freud que diz: “Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio”, seja superada e o abuso sexual extinguido.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para a construção de uma sociedade mais respeitosa e ativa. Destarte é necessário que a Escola em parceria com a família realize debates e aulas temáticas ministradas por professores de Sociologia e Filosofia sobre a banalização do abuso sexual e o combate ao machismo, a fim de que incentivem crianças e jovens a respeitar os direitos da mulher. Ademais, Mídia, que tem forte poder sobre os indivíduos, deve transmitir noticias que visem promover a reflexão e a mudança de condutas esdrúxulas dos indivíduos.