Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/10/2018
Durante o século XVIII, o Século das Luzes, surge Immanuel Kant, um filósofo iluminista que critica duramente o Antigo Regime e seu conjunto de amarras sociais, as quais limitavam a liberdade individual. Hodiernamente, mais de duzentos anos depois, um tipo de violência serve não só como amarra, mas também como guilhotina da liberdade de muitas mulheres e jovens, essa violência é o assédio sexual. Infelizmente, esse tipo de brutalidade ainda é realidade nas festas, nas ruas , nos bares e nos lares de todo o Brasil e apresenta sérios obstáculos para ser extirpado do solo tupiniquim. De acordo com dados do “Estadão” até o ano de 2017 mais de 90% das mulheres brasileiras já foram vítimas de algum tipo de assédio sexual, e o número de casos só aumenta com o passar dos anos. Esses entristecedores dados ocorrem devido a ausência de contingente policial para cobrir as vias, estabelecimentos e transportes públicos, locais nos quais ocorrem grande parte dos assédios, principalmente em mulheres. Essa ausência de segurança leva um certo grau de impunidade para os assediadores, os quais continuam com os atos sem sofrer a coerção adequada do Estado.
Além disso, há a cultura da misoginia, resgatada do período pré-histórico, que ainda está entranhada na sociedade e por isso acaba “naturalizando” os homens que agem de maneira animalesca, com atitudes irracionais e que perpetuam situações de assédio em todos os cantos do Brasil. Essas atitudes na óptica kantiana são extremamente antiéticas, visto que para ele a ética baseia-se na ação que pode tornar-se universal, ou seja, uma pessoa ética deve agir da maneira em que essa ação não traga malefícios ao universo em sua volta e o assédio sexual pode e por muitas vezes traz diversos traumas, sequelas e danos irreparáveis às vítimas dessa barbárie.
Portanto, é preciso que cuidadosas medidas sejam realizadas para que o solo canarinho torne-se seguro para o exercício da verdadeira liberdade de todas as mulheres. É necessário que os três poderes reúnam-se para reavaliar a eficácia dos atuais projetos e leis que visam a proteção das mulheres, como “a Lei Maria da Penha” , com o intuito de reforçar e reparar possíveis brechas que possam deixar um agressor protegido de maneira equivocada. Tal reunião deve contar com o apoio de ONG’s e associações que buscam a proteção das mulheres, com o objetivo de que as verdadeiras vítimas dessa mazela social sejam escutadas pelas autoridades competentes e as medidas estejam justapostas ao tipo e ao nível de assédio sexual cometido pelo agressor. Com isso a luz da razão poderá iluminar a nação brasileira e trazer um pouco mais de respeito às mulheres e alteridade aos que praticam ou apoiam esse tipo de agressão.