Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 15/10/2018

Assobios não requisitados. Bolinação. Palavras de baixo calão. As situações expostas previamente abordam a presença do assédio sexual com a parcela feminina da sociedade no dia a dia, problemática essa crescente em números, mas também em debates. Dessa forma, há um cenário de coibição dos direitos das mulheres - que, hodiernamente, estão sujeitas à agressão física e moral acometida pelo assédio. Nesse sentido, é preciso analisar as origens desse lamentável impasse, como também surge a necessidade de se prover medidas combativas.

Em primeira análise, convém apontar que o assédio não surge unicamente motivado pela libido, mas é fruto, na verdade, das relações de poder encontradas entre os gêneros. Isso posto, o assédio sexual não possui um fim em si mesmo, atrelado somente aos impulsos sexuais, mas é, sim, uma das inúmeras formas da misoginia e da violência institucionalizada contra a mulher se refletir nas ruas. Sendo assim, conforme a pensadora contemporânea Hannah Arendt, há uma crescente banalização do mal e da brutalidade na sociedade, premissa essa que pode ser confirmada quando vistas as estatísticas que abordam o supracitado crime. Um exemplo de tais estatísticas é a disponibilizada pela campanha “Chega de Fiu Fiu”, que afirma que cerca de 85% das entrevistadas já foram tocadas em espaço público sem autorização.

Em segunda análise, cabe ressaltar que o assédio, como causa estrutural, se mantém no imaginário brasileiro por meio, principalmente, da mídia e da educação, como afirma o estudioso Pierre Bordieu. Dito isso, a mídia, muitas vezes, naturaliza o comportamento agressivo com as mulheres através de seus programas, reproduzindo o machismo para milhões de brasileiros espectadores, incentivando a mimetização desses atos. Ademais, ao se abster de casos de violência ocorrentes em seu próprio âmbito, permitindo a permanência dos empregos dos assediadores, a mídia acaba compactuando com a proliferação do problema. Além disso, no caso brasileiro, a educação contribui para a perpetuação do assédio sexual, uma vez que não inclui a temática em sua programação, não permitindo a democratização do acesso ao debate contra essa violência aos estudantes.

Por fim, medidas são necessárias para combater o obstáculo do assédio sexual, haja vista as repercussões negativas que traz à sociedade. Dessa forma, é preciso estabelecer um trabalho colaborativo entre mídias e ONGs de Direitos Humanos, com o fito de reformular a representação objetificada que a mulher possui nos meios comunicativos. Essa mudança seria feita por meio da inclusão da discussão em programas de horário nobre, com a participação de mulheres e coletivos contra o assédio, permitindo a fala às principais vítimas. Somente assim esse crime poderá acabar.