Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 27/08/2019
Segundo Zygmunth Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais caracteriza a “modernidade líquida” do século XXI. Nesse ínterim, observa-se a instabilidade comportamental entre sexos opostos, dentre os quais, a mulher reflete o maior alvo de assédio sexual na contemporaneidade. Assim, urge refutar as causas dessa problemática, como a lenta mudança de mentalidade social em simetria com uma ideologia machista atrasada, a fim de solidificar o equilíbrio respeitável nas interações interpessoais no país.
Em primeira instância, destaca-se a herança enraizada como estimuladora da cultura do assédio no Brasil. Segundo Jonh Locke, nascemos como uma folha em branco, sem conhecimento e o adquirimos por meio da experiência. Diante do pensamento do sociólogo inglês, infere-se que se um menino permeia pelo ensinamento paterno de que chamar de “gatinha” moças na rua é aceitável, ele tende a contrair esse hábito, devido ao direcionamento familiar. Logo, a banalização verbalizada, transmitida de geração a geração, estimula a inconveniência social sofrida pelas mulheres.
Paralelamente a isso, sobressai o achismo social como perpetuador de elogios indevidos ao público feminino. De acordo com a pesquisa realizada pela campanha “Chega de Fiu Fiu” , 83% das mulheres consultadas declararam que não gostam de receber cantadas na rua. Diante desse patamar, nota-se que o resultado contraria a ideia de que mulheres se alegram ao receber agrados no espaço público proferidos por desconhecidos, argumento que, inclusive, neutraliza o assédio. Portanto, faz-se necessária a intervenção de políticas públicas para a reversão do cenário social.
Destarte, entende-se que o assédio sexual é fruto do costume culturalmente herdado somado a uma distorção ideológica. Assim, emerge-se imperativo que professores, desde a fase de Primeira Infância, por meio do teatro, enfatize o comportamento adequado entre ambos os sexos, a fim de promover a formação de cidadãos recusáveis às atitudes que colaboram para a perpetuação do assédio. Ademais, compete à mídia, por meio de anúncios publicitários em ônibus, desmistificar a falsa ideia de que mulher se alegra ao receber elogios de estranhos, com o intuito de mudar o comportamento masculino sobre tal prática. Assim, as relações sociais serão, gradativamente, mais respeitáveis e sólidas na sociedade brasileira.