Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 24/10/2018

A objetificação feminina vem desde a Grécia Antiga, um exemplo é o filósofo Aristóteles, que reproduzia uma ideia de aversão as mulheres, dizendo que elas são inferiores e, logo, assemelham-se a objetos. Discursos como este atrelados a ideias sexistas, contribuem para a defasagem dos direitos femininos no contexto atual.

Recentemente, diversos casos de assédio envolvendo atores renomados foram investigados. Um deles é o do ator global José Mayer, que foi acusado de assediar uma das figurinistas da emissora. Segundo ela, ele falava coisas que a deixava constrangida e chegou até a passar a mão em sua genitália. Esse foi apenas mais um de diversos casos que acontecem diariamente. De acordo com uma pesquisa realizada pela campanha “Chega de fiu-fiu”, que tem como objetivo lutar contra o assédio sexual em locais públicos, 85% das mulheres já tiveram seus corpos tocados sem permissão. Entretanto, quando esse número é comparado ao número de denuncias, nota-se uma enorme discrepância, dado que, na maioria das vezes a denúncia se quer é investigada. Isso mostra o quanto é necessário e urgente que o assédio seja combatido e que formas de punição sejam criadas.

Assim sendo, devido à falta de investigação, ou imputação, as mulheres se sentem no dever de ajudar umas as outras. Diversos grupos feministas criaram formas de denunciar assédios, como sites, campanhas e até exposição em redes sociais com uso de hashtags. Um exemplo é a campanha #MexeuComUmaMexeuComTodas, criada a partir da denúncia da figurinista Su Tonani contra o ator José Mayer. Essa é uma forma que elas encontraram de se fazer ouvir e de fazer justiça.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, promover nas escolas palestras ministradas por psicólogos e profissionais da saúde mental, voltadas não apenas para os alunos, mas para os pais também, com objetivo de alertar sobre a importância não apenas de denunciar, mas de não praticar o ato. Por conseguinte, o Ministério da Justiça em conjunto com o Ministério Público, devem criar e restituir leis que protejam as mulheres, oferecendo-lhes um respaldo na lei e a garantia de seus direitos, para que, assim, se sintam mais seguras para denunciar.