Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 30/10/2018

Na fase literária do Romantismo no Brasil, a figura feminina foi idealizada. Apesar de ter sido muitas vezes tratada como frágil e inalcançável,  ela era vista de forma respeitosa.  No entanto, as descrições ficaram somente nos papéis literários, pois a realidade que se perpetua até hoje, muito do tratamento com a imagem feminina está relacionado com uma visão machista e relacionado com a cultura de assédio que precisa ser analisada e solucionada.

Em primeiro lugar, é preciso compreender a prevalência do machismo durante a história do país. De acordo com uma pesquisa realizada pela campanha ‘‘Chega de Fiu Fiu’’, 85% das entrevistadas disseram já terem tido seus corpos tocados sem permissões em locais públicos. Nesse sentido, esse dado confirma a ideia da socióloga Nina Madsen, da qual diz que a cultura machista está impregnada na sociedade brasileira. Pois, devido à tantas mudanças sociais na contemporaneidade, somente uma ideologia que compôs o patriarcalismo na era colonial, do qual pregava a figura masculina  incontestável como o centro da família, que se transfigurou no machismo dos dias atuais, para não ter mudado o quadro de tanta violência às mulheres.

Ademais, a falta de denúncias e mobilização do grupo feminino é ainda um problema que auxilia para a permanência do cenário. Embora tenha acontecido alguns casos de denúncias, como os que aconteceram em 2017 contra o produtor Harvey Weistein, dos quais foram muito propagados em redes de telejornais, ainda são poucas as mulheres que se mobilizam contra os assédios sofridos. Dessa forma, conforme Aparecida Gonçalves, secretária nacional de enfrentamento à violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres, é crime todo tipo de interação sexual não consensual e os responsáveis têm que ser penalizados. No entanto, o medo, conforme uma entrevista realizada pela rede TVT, muitas vezes permite que as vítimas se calem.

Portanto, visto que há desafios a serem superados na questão de assédio à figura feminina, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com ONGs, crie uma política a ser implementada nas escolas para o Ensino Fundamental e Médio, criada por psicólogos e psicopedagogos, contendo atividades extracurriculares voltadas ao combate contra a cultura de assédio que envolva palestras, cartilhas e jogos interativos. Também, é necessário que as redes sociais e os meios televisivos criem mais propagadas que combatem o assédio sexual, defendem o cenário da mulher na sociedade e incentivem as brasileiras à denunciarem os casos sofridos. Assim, educando os adolescentes e jovens e denunciado os casos de assédio, o problema poderá ser sanado, e a mulher não será apenas respeitada como no Romantismo, mas na realidade brasileira.