Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/01/2019

A cultura machista e o assédio sexual

O assédio é um tipo de abuso sexual, que se caracteriza por assobios, cantadas, abordagens, comentários constrangedores, além de contato físico, ou seja, atos que causam constrangimento e humilhação, bem como desrespeito aos direitos da vítima. Esse fenômeno acontece de diversas formas e em diferentes lugares, segundo pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza, a ActionAid, em 2016, aproximadamente 85% das mulheres brasileiras já foram abusadas em ambientes públicos, o que demonstra ser  um problema social alarmante.

Certamente, os casos de abusos estão cada vez mais frequentes e há vários motivos para tal. Os homens estão crescendo em um ambiente em que mulheres são frequentemente abusadas sexualmente, onde há casos de assédios diários e onde as mulheres são vistas e tratadas de forma inferior. Tudo isso contribui para a formação do pensamento dos futuros agressores, que crescem pensando na mulher como um objeto.

Outro aspecto relevante é a conivência das pessoas em volta, que se omitem diante do assédio. Quando alguém vê o assédio e não denuncia, ele ajuda o agressor, o deixando mais seguro e confiante, em decorrência da impunidade. Ademais,  mídia, música, livros, filmes e séries também podem influenciar no fortalecimento da cultura machista, ao dar prioridade à beleza física da mulher, ou ao definir que certas atividades são femininas, como se vê, por exemplo, em propagandas comerciais de produtos de limpeza e de bebidas alcoólicas. A mulher, nesse contexto, é vista como alguém sem voz, indefesa e submissa.

Portanto, torna-se necessário tomar medidas que mudem esse pensamento e diminuam a frequência da ocorrência dos casos. É preciso que a mídia mostre a mulher como um ser humano com direitos iguais aos dos homens e que possuem voz. Além disso, é fundamental campanhas contra o assédio, como a “Mexeu com uma, mexeu com todas”; e a educação, tanto familiar como escolar, por meio de debates, aulas e conversas que ensinem o respeito à mulher. Além da denúncia da vítima e da testemunha do assédio para ajudar na prisão do agressor. E quanto ao governo, poderia adotar leis mais rígidas e uma pena mais severa para o culpado.