Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 04/03/2019
A questão do assédio sexual no Brasil é um assunto muito preocupante, pois apesar dos grandes avanços do século XX relacionados à mulher:o direito ao voto, a independência profissional, a mudança em seu papel social no código civil de 2002,sendo que em seu antecessor a mulher era caracterizada pela ausência de capacidade civil plena, dependendo de autorização do pai ou marido para os atos da vida civil,é visível que ainda há muito a ser feito.De acordo com a pesquisa nacional Datafolha no ano de 2018, quase 50 % das mulheres entrevistadas já haviam sofrido assédio sexual.Tal situação ocorre em face do patriarcalismo e da falta de empatia entre o sexo feminino, o que se traduz em um enorme desafio a ser superado.
Em primeira análise, o patriarcalismo é um dos fatores que corroboram para o fortalecimento do assédio sexual.Historicamente,esse sistema social foi difundido no Brasil pelos colonizadores portugueses, que apregoavam a supremacia masculina e a submissão feminina. Consoante, Michel Foucalt, em sua obra A Microfísica do Poder, aquele que está submetido ao poder de outrem está imerso numa situação de vulnerabilidade.Diante disso e do patriarcalismo, a mulher é objetificada, tornando-se alvo constante de “cantadas” vulgares,músicas machistas e situações de violência física pelo simples fato de ser mulher, caracterizando o assédio sexual e constituindo-se em crime para a justiça brasileira.
Somado a isso, constata-se a falta de empatia entre as mulheres, o que fortalece a prática do machismo.De acordo com a historiadora Mary Del Priore, a mulher brasileira é vítima do seu próprio machismo.Exemplo disso, foi a situação vivenciada pela paisagista carioca que conheceu um rapaz em uma rede social e após 8 meses,ao se encontrarem foi espancada por mais de 4 horas seguidas.Após a divulgação do caso em comento pela mídia,surgiram inúmeros comentários nas redes sociais culpando a paisagista por ter levado um estranho para sua casa, em situação mais grave uma internauta afirmou que ela apanhou por que gostava.Consequentemente, percebe-se a falta de sororidade entre o grupo feminino, e uma inversão de valores,entre vítima e algoz.
Destarte, é imprescindível a adoção de medidas que reduzam tal problemática.Para isso, o Estado por meio do Ministério da Educação deve promover campanhas educativas com atividades lúdicas,palestras, rodas de conversas e atendimento psicopedagógico , visando à desconstrução do legado histórico do patriarcalismo, com o fito de orientar crianças, adolescentes e familiares acerca da igualdade constitucional entre os sexos e assim impedir que o assédio sexual seja reproduzido pelas gerações futuras e comprometam a evolução social da mulher ao longo da história.