Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/02/2019
No limiar do século XXI, é crescente a associação da figura feminina a um personagem forte, protagonista e essencial no decorrer da existência humana e consequente luta por direitos. Porém, o caráter patriarcal e machista da sociedade contribui para a perpetuação de atos de violência contra a mulher, entre estes o assédio sexual. Diante disso, é necessário diálogo entre Estado e sociedade em prol da mitigação e desconstrução de preconceitos e valores errôneos no corpo social.
Em uma primeira abordagem, é importante explicitar o modo como a figura feminina foi coagida e suprimida por uma sociedade profundamente preconceituosa, além de como tais fatos refletem na abordagem contemporânea quanto à discussão de gênero. Nesse sentido, seja por meio da abstenção do direito ao voto observada em civilizações na Grécia Antiga, ou pela associação da mulher com afazeres domésticos e educação dos filhos pelo patriarcado ruralista no Brasil Colonial, fica explicito o peso histórico carregado pelas mesmas na atualidade e a dificuldade em reverter tal cenário. Em decorrência disso, pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza, ActionAid, mostra que, no Brasil, 86% das mulheres sofreram assédio público, dado este que escancara os desvalores da sociedade brasileira quanto ao respeito ao espaço indivídual e respeito ao próximo.
Deve-se abordar ainda, os desafios impostos pela pós-modernidade e a virtualização da sociedade no que tange as dificuldades relacionadas ao assédio sexual, que acontece em espaços públicos, privados e cibernéticos. Consoante ao filósofo Michel Foucault, é preciso mostras às pessoas que elas são mais livre do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. De maneira análoga, movimentos como o feminismo crescem como resposta à dor sofrida pelas mulheres, com o objetivo de promover a igualdade de direitos entre os gêneros, lutando para que, entre outras coisas, a visão da mulher criada em séculos passados seja desconstruída e a sociedade se torne mais ética e justa, abolindo todo e qualquer tipo de preconceito.
Urge, portanto, que medidas são necessárias para livrar o corpo social das mazelas da violência e assédio sexual. Logo, é mister que os veículos midiáticos divulguem os direitos das vítimas de recorrerem à justiça, para que não permaneçam sofrendo constrangimentos, fazendo a denúncia em uma delegacia e o boletim de ocorrência contra o agressor. Aliado a isso, no âmbito educacional, é necessário que as crianças sejam educadas e conscientizadas sobre o assunto desde cedo, para que compreendam a gravidade dos atos de assédio e respeitem o espaço e direito individual de cada um. Assim, o caráter patriarcal e machista da sociedade se dissolverá, em prol de uma sociedade saudável para todos os seus indivíduos sem distinção de gênero.