Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/03/2019
Assédio sexual no Brasil
Nísia Floresta. Coco Chanel. Simone de Beauvoir. Bertha Lutz. Representam, junto a tantas outras mulheres, a luta por direitos iguais e a quebra de paradigmas sociais. Apesar das conquistas, muitas apenas no papel, há uma ameaça real e histórica sofrida diariamente pelas mulheres, o assédio sexual. A continuidade desse fenômeno se dá pela naturalização do ato e pela impunidade.
A mulher tem seu corpo violado quando passa por uma agressão física, sexual ou verbal. De acordo com a pesquisa nacional, de 2017 do Datafolha, 42% das mulheres brasileiras já sofreram assédio sexual. A naturalização dos elogios com conotação sexual, a tese de que o assédio as mulheres é cultural, o silêncio das vítimas por medo e a falta de percepção do que é assédio ou não são problemas no combate a essa violência. Esse comportamento social são reflexos da educação machista e pela representatividade feminina nas diferentes mídias. A objetificação da mulher ocorre nos programas de entretenimento, filmes, propagandas de cerveja que hipersualizam a imagem feminina. É válido ressaltar as músicas com conteúdo sexista que também são parte importante do pano de fundo cultural desse tipo de violência. Tudo isso ratifica o papel da mulher como objeto de satisfação do homem gerando o aumento do número de abusos.
Outro fato importante exibido recentemente na mídia são os casos de assédio sexual no transporte público. O programa Fantástico afirmou em 2017 que, em sua maioria, os agressores são liberados pela justiça que considera o ato apenas como uma contravenção penal. Isso expõe a impunidade nos casos de assédio sexual. Muitas vezes os profissionais presentes na delegacias tradicionais não estão preparados para receber a denuncia de violência contra a mulher. E as atitudes machistas e a falta de empatia acabam por desencorajar a denuncia o que perpetua o ciclo da agressão. Logo, criminalizar o ato não é a solução mágica para o problema, principalmente porque muitas das leis não são executadas em sua plenitude e não protegem a mulher, pois a denuncia não afasta completamente o agressor e a mulher fica a mercê da medida protetiva.
Portanto, combater os casos de assédio sexual vai muito além de criminalizar. É necessário atuar na prevenção por meio da educação e capacitação dos profissionais da polícia, saúde e educação. O tema deve ser debatido desde a infância com a introdução do mesmo na escola primária, com a discussão de gênero e do respeito ao próximo. Somado as políticas públicas governamentais é necessário que a mídia dê visibilidade feminina enfatizando o seu talento, força e conquistas. Assim será possível diminuir a desigualdade entre homens e mulheres e acabar com a cultura do estupro.