Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/02/2019
No Brasil, os desafios em torno dos casos de assédio sexual apresentam-se como uma problemática de caráter social que afeta continuamente a maior parte das mulheres. Isso se deve, sobretudo, à herança patriarcal na construção da sociedade, bem como a cultura do estupro. Nesse sentido, são necessárias mais ações visando o enfrentamento dessa questão.
Em primeira análise, o patriarcado é um sistema social em que o homem ocupa uma posição superior em relação à mulher e presume ter direitos de propriedade sobre essa. De acordo com dados do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 90% dos casos de assédio sexual os agressores são do sexo masculino e 88% das vítimas são do sexo feminino. Dessa forma, percebe-se que o assédio se encontra diretamente relacionado ao poder entre os gêneros, de modo que a mulher é objetificada, ou seja, há somente a valorização da aparência feminina e a banalização dos aspectos que as define enquanto indivíduo. Dessa maneira, é importante ressaltar a resolução do problema.
Outrossim, desde a segunda onda feminista o termo cultura do estupro vem sido acentuado para apontar comportamentos sutis ou explícitos que silenciam ou relativizam os tipos de violência sexual contra mulheres. Segundo um levantamento do Datafolha, 29% das mulheres relataram ter sido assediadas na rua, 22% no transporte público, 15% no trabalho, 10% na escola ou faculdade e 6% violentadas em casa. Dessa forma, compreende-se que diariamente mulheres são submetidas à intimidações, importunações e comentários de cunho sexual os quais são defendidos pelo senso comum como atitudes normais e imutáveis.
Portanto, tendo em vista os aspectos observados, torna-se evidente a necessidade de superar o problema. Para tanto, o Ministério da Justiça deve implementar medidas mais rígidas, investindo em projetos para que as leis tenham penas mais longas do que a prevista na atual conjuntura jurídica, de maneira a dar a devida punição aos agressores. Ademais, cabe ao Ministério da Educação instituir nas escolas palestras ministradas por psicólogos que abordem o tema relacionado ao combate do assédio e o respeito ao próximo, visando desviar da sociedade toda herança de desigualdade entre gêneros. Dessa maneira, indubitavelmente, as incidências desses casos tendem a diminuir.