Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 11/03/2019

Na obra “O Conto da Aia”, a autora Margaret Atwood retrata a violência sofrida pelas mulheres na sociedade, por intermédio da fictícia República de Gilead, que, por causa de um Estado opressor, as colocam em papéis inferiorizados e resumidos à função reprodutiva. Dessa forma, o livro relaciona-se, hodiernamente, com os desafios para reduzir os casos de assédio sexual, mostrando que essa problemática persiste intrinsecamente ligada aos imbróglios do pretérito, em conjunto à falta de políticas públicas eficazes para combatê-los.

Em primeiro plano, ao analisar por um prisma histórico, verifica-se que a normatização do assédio sexual é presente desde da Antiguidade, como, por exemplo, a lenda de Medusa, a qual, por ser considerada extremamente bonita, foi assediada por Poseidon, porém, apesar de ser a vítima, foi punida por Atena, deusa da sabedoria, que a deixou com uma aparência repugnante, enquanto Poseidon, por ser a figura masculina, sofreu nenhuma penalização pelos seus atos. Outrossim, no Brasil, é perceptível que o patriarcalismo impediu a emancipação feminina com relação à direitos políticos, tais quais voto e candidatura, conquistados apenas em 1932, já que a política estava associada a um universo racional e, por consequência, masculino. Sendo assim, esses fatos conectam-se à atualidade por meio dos dados apresentados pela Folha de São Paulo, no qual  42% das mulheres brasileiras afirmaram já ter sofrido assédio sexual, o que demonstra o machismo institucionalizado.

Por conseguinte, é indubitável que as chagas contemporâneas são a falta de políticas públicas para conscientizar a sociedade em relação aos casos de assédio sexual e diminuir o patriarcalismo, tal qual no episódio do vídeo misógino propagado nas redes sociais, no qual brasileiros assediaram e humilharam uma mulher russa na Copa do Mundo, de 2018, os quais alegaram que o ato foi uma “brincadeira”. Ademais, mesmo com a Lei Maria da penha, as vertentes conservadoras sobre essa temática impedem um combate eficaz, já que acham que a lei é “severa demais”, desconsiderando que, consoante o G1, 1 mulher morre a cada 2 horas. Logo, é vital que se siga o ideal de George Santayana, o qual acreditava que quem não conhece o passado tendo a repeti-lo, para sanar a questão.

Portanto, para resolver os problemas apresentados no livro “O Conto da Aia”, o Ministério dos Direitos Humanos, órgão responsável pela organização das secretárias responsável por políticas para mulheres, deve, por meio de um projeto de lei, investir em produções culturais, tais quais filmes, séries e novelas, que alertem sobre o assédio sexual, além de palestras dentro das instituições de ensino, do primário ao ensino médio, que falem sobre o tema, para que, assim, haja a diminuição do número de assédios sexuais. Desse modo, mulheres, como Medusa, não serão mais vítimas da cultura misógina.