Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/03/2019

“Mulheres não devem sair à noite sozinhas e não devem usar saias ou vestidos.” Esse foi o discurso do ex Ministro do Turismo da Índia, Mahesh Sharma em 2016, referindo - se aos altos índices de violência e assédio sexual no país. Tal comentário torna evidente a cultura do estupro enraizada na sociedade e no comportamento masculino. O assédio sexual é contínuo, e na maioria das vezes, socialmente aceito por grande parte da população como algo normal, contribuindo para que essa cultura continue atravessando gerações. Além de fortalecer essa cultura machista, tratar com normalidade questões de assédio aumenta a resistência das mulheres em denunciar esse tipo de crime.

A sociedade foi desenvolvida com base em uma cultura machista, na qual assédios são taxados como normais e até mesmo típico do comportamento masculino, fortalecendo a cultura do estupro e culpabilizando a vítima pela violência sofrida. No Brasil, dados revelados pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - 86 % das mulheres sofrem assédio em público e 68% temem ser assediadas no transporte público. Dentre as formas de assédio sofridas, o assobio é o mais comum (77%), seguido por olhares (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%).

Dados divulgados pelo jornal The Indu da Índia mostram que os casos de estupro mais que dobraram entre 2012 e 2013. Em novembro de 2014, 1.879 casos foram registrados só em Nova Déli, conhecida como capital do estupro no país. Ensinamentos culturais, sociais e religiosos de teor machista trazem desdobramentos trágicos na vida de milhares de mulheres ao redor e todo o mundo. Tratar o assédio como algo normal do comportamento masculino é continuar fortalecendo essa cultura violenta e reprimindo as vítimas em relação a denúncia.

Precisamos fortalecer através de campanhas de conscientização a ideia de que qualquer tipo de relação ou contato precisa ser consensual, que o “não significa não”. Conscientizar as mulheres que sofrem esse tipo de assédio que se trata de violência, sim! Que existe punição, sim! E que a culpa nunca é da vítima. Tratar do assobio e das “cantadas” como assédio, como crime, com penas e leis mais severas, para impedir que esse tipo de comportamento tome proporções irremediáveis como o estupro Devemos trazer a educação sexual para as escolas. Ensinar aos jovens e adolescentes os limites, a ética com intuito de formar homens que saibam os limites e a diferença entre assédio e elogio. Prepará-los para relacionamentos saudáveis com base no respeito e no consentimento. Tornando dessa forma, a vida das mulheres mais respeitada, valorizada, diminuindo os índices de assédio, estupro e mortes.