Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 11/03/2019
Nos anos de 2017 e 2018 tornaram públicas denúncias de assédio sexual em ônibus e metrôs no Brasil,com destaque para os casos em que homens ejacularam em mulheres nesses meios de transporte.Diante dos fatos, parte da sociedade culpabilizou as mulheres pela violência sofrida .Essas mulheres foram vítimas da cultura do estupro e e das frágeis políticas públicas de proteção à dignidade humana.
De início, é preciso tomar como base o pensamento do filósofo John Locke para entender a origem dessa realidade cultural.Segundo Locke, a mente humana é como um papel em branco, no qual é somado impressões e experiências que explicam a construção do comportamento humano.Nesse sentido, pode - se dizer que a mídia brasileira tem um papel determinante nos casos de violência contra mulher.Na maioria das novelas, séries e propagandas veiculadas na tv, internet etc é comum a construção de personagens estereotipadas : a mulher que usa roupas curtas,geralmente, é a que gosta de ser assediada.A que usa roupas “comportadas” e que inicialmente nega um relacionamento sexual; no decorrer do tempo, com a “sedução” (assédio) constante do parceiro,acaba cedendo ao relacionamento.Esses clichês da ficção criam a falsa ideia,nas mentes masculinas, de que as mulheres reais têm comportamento semelhante ao das personagens e, dessa forma, corroboram com a cultura do estupro, já que dão a entender que as roupas de uma mulher dizem sobre sua personalidade ou que um não pode ser um talvez.
Concomitante a isso, a ausência de uma rede de apoio às mulheres que sofrem ou sofreram assédio sexual corrobora com a permanência da Cultura do Estupro. No Brasil, somente 2,5% das cidades têm abrigos para mulheres que sofrem violência doméstica.Delegacias especializadas no atendimento à mulher estão em apenas 8% dos municípios.Com esse déficit, a maioria das mulheres que sofrem ou sofreram assédio sexual têm medo de denunciar seus algozes. E eles, sentem - se confortáveis para continuar importunando suas vítimas.
Urge, portanto, modificar essa realidade.É preciso que a mídia cumpra seu papel social e modifique a forma com que vem retratando o comportamento de mulheres na ficção, com o intuito de somar novas impressões às mentes masculinas, mais realistas e respeitosas com relação às escolhas femininas.Além disso, é fundamental aumentar o número de delegacias especializadas no atendimento à mulher para que as vítimas não tenham medo de denunciar seus agressores ou sintam constrangimento na hora de relatar assédios sexuais.