Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 26/02/2019
Ao analisar o histórico do Brasil tal como a construção de sua identidade social, observa-se que ao longo dos séculos criou-se uma ideologia massiva e problemática, a chamada cultura do estupro. Cultura essa que desvaloriza as mulheres, as priva de viver em liberdade em meio à sociedade e as coloca em uma posição vulnerável a sofrer assédios sexuais e abusos. A mesma disseminou-se e ganhou força por diversos meios, como por exemplo através dos veículos de mídia que reproduzem e/ou naturalizam ações que objetificam a mulher e, infelizmente, muitas vezes por costumes sociais que inferiorizam a mulher enquanto enaltecem os homens e suas práticas machistas e desrespeitosas.
A mídia continua a exibir, constantemente, através de filmes, séries e novelas, a mulher em uma posição indigna na sociedade, personagens femininos que sempre sofrem agressão e são dominadas por figuras masculinas. Além disso, na maioria das vezes, culpabiliza a mulher pelo ocorrido, seja ele um assédio, abuso ou agressão física e psicologica. Um exemplo disso pode ser visto na série As Telefonistas, na qual uma das personagens, Angela, é impedida pelo marido de trabalhar e quando decide fazê-lo, sofre ameaças, agressões e chega a ser mantida presa dentro da própria casa. Por fim, a personagem é injustiçada e apontada como a culpada por tudo que a acontece durante a trama. Tristemente, não é apenas uma cena fictícia e sim, algo que ocorre com centenas de mulheres reais.
Segundo o IBGE, em 2017, mais de 80% das mulheres entrevistadas já sofreram assédio sexual em locais públicos. Dessa maneira, percebe-se o quanto os homens tem violentado as mulheres e como os meios de combate a essas práticas tem sido falhos e isso é resultado de uma cultura permissiva. Muitos usam como argumento de neutralização contra o assédio que mulheres, supostamente, gostam de receber elogios, entretanto, uma pesquisa realizada pelo jornal ‘‘O Povo’’ apontou que 78% das mulheres entrevistadas não gostam de receber cantadas nas ruas e ainda se sentem ameaçadas, logo nota-se que o argumento é falso.
Tendo em vista os fatos mencionados, é inquestionável a necessidade da tomada de providências. Assim, cabe ao meio midiático estabelecer um setor que seja capaz de apurar os conteúdos veiculados tal como a ideia que o mesmo estará trasmitindo ao público, para que seja desconstruída aos poucos essa imagem que denigre a mulher. Cabe ao Governo Federal a criação de leis mais rigorosas para que sejam punidos individualmente os que cometerem crimes de assédio, juntamente à criação de um órgão que regulamente e garanta o cumprimento dessas leis. E por fim, cabe à sociedade a conscientização de seus próprios atos e respeito ao próximos, principalmente às mulheres. Dessarte, talvez seja possível imaginar um Brasil mais seguro e mais respeitoso.