Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 02/03/2019
O sexo não frágil
É possível afirmar que os casos de assédio sexual, predominantemente contra as mulheres, são atos violentos recorrentes e que estão enraizados na sociedade desde outras épocas. Não só os altos índices de feminicídio e estupro, como também a objetificação da mulher e a sexualização do seu corpo, tornam difícil o combate à violência contra o sexo feminino, considerado frágil.
Diariamente, são relatados nos noticiários brasileiros casos de homens que estupram e, sequencialmente, assassinam mulheres, até mesmo suas esposas ou amantes. Segundo o Ipea, mais de 17 mil casos de feminicídio ocorreram no país em um período de dois anos, o que torna, para uma grande parte da população, a recorrência de tal ato de violência algo banal. Além desses crimes, também é bastante noticiado a ocorrência de assédio sexual contra mulheres no ambiente de trabalho, em que, muitas vezes, a mulher permanece silenciada e não denuncia o agressor, pelo fato de ser submissa e correr o risco da demissão.
Outro aspecto a ser considerado é a sociedade de cunho machista, existente desde séculos, em que ainda vivemos nos dias atuais. É em decorrência do pensamento de superioridade masculina em detrimento da submissão da mulher que a objetificação feminina é possível. A vítima assediada carrega o peso de ser a “culpada” por estar usando roupas curtas, o que evidencia a sexualização do corpo feminino. Na publicidade, é muito comum vermos essa submissão da mulher explícita e a relação direta criada entre exibição corporal com insinuação ao sexo.
Dessa forma, portanto, faz-se necessário que o Ministério dos Direitos Humanos crie medidas que garantam uma melhor proteção às mulheres, como a criação de unidades de apoio para acolhimento e atendimento psicológico. Além disso, o Ministério da Justiça deve promover a conscientização de que mulheres devem denunciar, haja vista que o artigo 5 da Constituição torna inviolável a intimidade e honra individuais. As escolas também devem ensinar as crianças e jovens acerca do respeito e da equidade entre os sexos, para que o paradigma de superioridade e submissão chegue ao fim. As mulheres, conhecidas como sexo “frágil” mostram que são o antônimo disso, considerando a forte violência por elas enfrentada e, assim como afirma Augusto Cury, médico e escritor, “os frágeis usam a violência”. A fragilidade é, realmente, inerente ao feminino?