Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 27/02/2019
Com a consolidação de uma sociedade patriarcal, na qual o homem desempenha papel de superioridade em detrimento da moral feminina, diversas violências contra a mulher tornaram-se práticas frequentes e, muitas vezes, naturalizadas pela população. De acordo com Engels, filósofo alemão, o assentamento do patriarcado ocorreu devido às formações familiares e de convívio comum, em que homens e mulheres exercem funções diferentes a fim de reproduzir eternamente esses moldes para a continuação do capitalismo. Dessa maneira, é inegável que o assédio sexual faz parte de uma das agressões praticada de maneira regular no Brasil e em conformidade com os aspectos históricos e culturais do país.
Em primeira instância, observa-se que a construção da masculinidade no Brasil resultou em um comportamento tóxico e violento. Nesse sentido, é comum encontrar os mais variados incentivos para que os garotos, desde pequenos, se relacionem com outras meninas, estimulem sua capacidade erótica ou resolvam suas diferenças com outras pessoas mediante do uso da violência. Tanto é que, por exemplo, homens representam mais de 75% dos consumidores de pornografia no Brasil segundo o canal “Sexy Hot”. Sendo assim, a promoção desses comportamentos leva a muitos meninos a ter a falsa sensação de poder invadir o espaço da mulher deliberadamente, seja para reafirmar-se como homem para a sociedade ou para realizar seus desejos pessoais, o que configura o assédio.
Além disso, a falta de punição para esse tipo de crime potencializa sua ocorrência no país. Isto é, sem efetivo amparo legal ou mesmo um boicote social, muitos homens não repensam seus atos e os efetuam impunes. Uma vez que o assédio sexual e até mesmo estupros podem ser feitos sem deixar evidências, as mulheres enfrentam um clima severo de insegurança ao sair em lugares públicos ou mesmo denunciar tais crimes. Ainda que hajam dezenas ou centenas de histórias de mulheres diferentes sobre o assédio sexual advinda de alguma figura masculina, existe uma forte tendência na descredibilização das vítimas que as desencoraja, como no caso do João de Deus, líder religioso.
Portanto, é necessário que o combate ao assédio sexual dê-se por suas origens: o processo de socialização dos homens. Para isso, é dever das escolas, em forte e contínua união às famílias, coibir e corrigir os comportamentos masculinos que possam afetar as meninas. Por intermédio de reuniões de responsáveis, acompanhamento dos profissionais da educação e da psicologia infantil, essa medida precisa mostrar e buscar soluções para corrigir atitudes que depreciam a mulher ainda no ambiente escolar e desestimular a construção de masculinidades tóxicas dentro das famílias. Finalmente e, só assim, poderemos garantir a segurança e liberdade das mulheres em uma nação mais saudável e justa.