Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/03/2019

“Apesar de termos feitos tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. A música da cantora Elis Regina, representa, analogamente, a luta histórica perpetuada entre mulheres nos âmbitos sociais, políticos e econômicos. Dessa maneira, percebe-se tanto a continuidade do agrave aos casos de assédios sexuais sofridos pelas mulheres ao longo dos anos, quanto a insuficiente procura para a melhoria do entrave.

Assim sendo, é indubitável a ocorrência de assédios sexuais decorrido do pensamento retrógrado e machista ainda existente na sociedade brasileira. Tal raciocínio, é resultante de uma educação misógina que muitos recebem e levam para toda a vida. No qual coloca a intimidade feminina sob desígnios dos prazeres masculinos, contribuindo para a perpetuação de uma sociedade que não sabe diferenciar, de fato, uma violação. Outrossim, a pornografia reflete a cultura do estupro em vídeos sem que percebamos se o ato sexual é consentido ou não. Coberto de violência esta nova “educação sexual” estabelece noções deturpadas do que realmente é sexo.

Ademais, o sensualismo exagerado e o exibicionismo do corpo da mulher em propagandas carnavalescas e em comerciais de bebidas alcoólicas, enraízam ainda mais o “poder” do homem sobre o corpo alheio. No ano de 2015, a Skol divulgou uma campanha com mensagens encorajadoras ao desrespeito às mulheres em uma época que os estupros aumentam significativamente, com frases como: “Deixe o não em casa”. Portanto, é inaceitável o posicionamento de empresas de maneira contraproducente a busca do progresso nacional, tendo em vista a culpabilização da vítima romantizada dificulta e intensifica o receio muitas mulheres em denunciar as práticas de desacato.

Em suma, faz-se primordial a tomada de medidas para mitigar o imbróglio supracitado. Entre elas, a diversificação dos canais de denúncia, que podem contar com a utilização das redes sociais em parceria com a polícia civil, em que o compartilhamento de fotos e vídeos de tais crimes com páginas voltadas para investigação tornariam o processo menos burocrático e, de certa forma, mais convidativo a prática de denúncias. Outra proposta interessante, além da aprovação de punições mais severas aos acusados, seria a criação de uma matéria obrigatória na grade curricular escolar: “Formação cidadã”, pelo Ministério da Educação, que trabalharia questões dentro do campo sociológico e antropológico na construção de cidadãos mais respeitosos para com os outros, erradicando, com o tempo, o pensamento equivocado de que os homens têm algum poder sobre as mulheres e assim, transmitindo às sociedades futuras um legado menos miserável e vergonhoso, fomentando em indivíduos mais cívicos e empáticos.