Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 12/03/2019

Em sua música intitulada “Respeita as mina”, a cantora Kell Smith convoca os brasileiros a repensar atitudes, antes consideradas comuns, em relação aos casos de assédios sexuais recorrentes. Na região Centro-Oeste do Brasil, por exemplo, 92% das mulheres revelaram já terem sido assediadas, segundo dados da Rede TVT. Estatísticas absurdas como essa classificam uma população machista e que ainda vive mediante o patriarcalismo e a cultura do estupro.

Sabe-se que a sociedade brasileira foi constituída nas bases do patriarcalismo, no qual os papeis sociais são bem definidos pelo gênero. Com o passar do tempo, e após as lutas feministas, esse modelo começou a ser questionado, pois não deixa espaço para relações sociais de equidade. Entretanto, resquícios do passado fazem com que, hodiernamente, alguns homens tentem se sentir superiores por meio do assédio, já que eles ignoram os direitos conquistados pelas mulheres e as tratam como objeto sexual.

Convém ressaltar que além da tentativa de rebaixar o sexo feminino aos seus caprichos, é comum que em situações extremas, como um estupro, as mulheres acabem sendo culpadas. Essa situação é refletida em vários aspectos sociais. Em meio a fragilidade da exposição, as vítimas costumam ver o crime sendo condicionado às circunstâncias. “Que roupa vestia?”. “Que horas eram?”. “Estava bêbada?”. São perguntas que a sociedade insiste em fazer para tentar normalizar o abuso.

Fica claro, portanto, que o Brasil ainda tem muitos desafios para reduzir as estatísticas de assédio sexual. Diante disso, é necessário que a escola, como instituição social, em parceria com a família, eduque e instigue o conhecimento sobre o assédio por meio de aulas sobre igualdade de gênero e lutas femininas. Para que, assim, a população possa reconhecer o assédio e o abuso mesmo nas pequenas coisas que são consideradas normais e combatê-lo. Com isso, propor uma nova visão sobre os moldes sociais, e consequentemente, estimular o “respeito as mina”.