Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 04/03/2019
“Estar em público não faz do meu corpo um espaço público”.Tal campanha do movimento feminista “chega de fiu fiu” exterioriza de maneira breve o sentimento não externado das brasileiras,a banalidade e naturalidade da forma como o assédio sexual é abordado.Como raiz desse descaso,efetivam-se entraves quando a educação é pautada na cultura machista e a impunidade é estabelecida pelo desmerecimento a voz feminina.
Dessa maneira,se estabelece uma problemática quando o ensino é marcado pelo sexismo.De acordo com a escritora Hannah Arendt,a “banalidade do mal” consiste na dissipação do mal de maneira impessoal,com comportamentos camuflados e passivos.Analogamente a esta barbárie,se estabelece uma construção social desigual,onde a mulher é objeto de desejo e a motivadora da violência a ela cometida por suas roupas,maneira de se comportar e agir.Tal pensamento primitivo fortalecem o medo e distanciam a possibilidade de equidade e respeito à voz femínea.
Nessa perspectiva,a sensação de impotência se intensifica quando o discurso da vítima é recoberto pela impenitência.Segundo Datafolha 42% das mulheres relatam ter sofrido assédio sexual em variadas situações cotidianas como transporte público,nas ruas ou no próprio trabalho.O problema se agrava quando a abordagem invasiva é neutralizada como elogio,visto que a prática não delimita classe social do homem,mas é justificada de maneira torpe como “instinto corporal”,dificultando a legitimidade das denúncias.
Desse modo,a sociedade brasileira precisa dissociar um dos maiores problemas sociais:o assédio velado.Cabendo ao Ministério da Educação,a implementação da história da luta feminina nas grades escolares juntamente com o tutoramento desses alunos a fim de se construir cidadãos conscientes distantes da misoginia que o machismo gera.E ao Ministério Público,a fiscalização das denúncias e dos profissionais do judiciário com o auxílio de movimentos de defesa da mulher e ONG’s com o fito de desconstruir a ideia de impunidade e corriqueirismo de que a mulher é patrimônio público.