Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 01/03/2019
A misoginia, no Brasil, não é exclusividade do século XXI. Outrora, a mulher já era dada como uma figura altamente desprezível. Dessa maneira, não tinham seus direitos como cidadãs garantidos, sendo vistas, apenas, como objetos. Essa visão social de que a mulher é inferior e o incentivo aos homens, por parte social, à objetificação feminina, gerou/gera inúmeros casos de assédio sexual no país. Tendo em vista tal aspecto, é necessário avaliar os pontos da problemática, bem como tomar medidas para contornar a situação.
Sob a perspectiva sociológica de Émile Durkein, as ações do indivíduos são baseadas, em suma, nas ideologias da sociedade no qual estão inseridos. O Brasil, em geral, é marcado pela desigualdade de gênero desde a República Oligárquica e foi, apenas, em 1932 que a mulher conquistou o direito ao voto. O documentário “Um por todas e todas por um” exibido na MTV, revelou que mais de 50% dos brasileiros acreditam que a mulher deve se submeter ao seu marido e, desses, 98% dizem que estas possuem uma parcela de culpa quando estupradas, seja por sua roupa ou por modo de agir. Torna-se notória, portanto, a persistência ideologia misógina no Brasil.
Além da construção social narrada anteriormente, o assédio sexual é resultado da pressão de que, para garantir sua masculinidade, o homem deve ter muitas mulheres. O portal de notícias G1, em 2018, fez uma reportagem mostrando o número de pessoas infectadas pelo vírus da Aids no carnaval do ano anterior. Um dos entrevistados, José Mariano, disse que ficou com mais de 10 mulheres, na época, para provar aos seus amigos que não era homossexual. Dessarte, a objetificação feminina é um dos princípios para o assédio sexual, haja vista que estas não têm valor e são vistas, apenas, como números.
Em síntese, é notória a dificuldade em combater a problemática tendo em vista os fatores supracitados. Entretanto, cabe ao Ministério da Educação, a elaboração de campanhas, com impostos arrecadados, contra o assédio em todas as escolas e faculdades com palestras e debates a respeito de tal aspecto como forma de conscientização dos alunos. Além disso, ao Poder Legislativo, através de emendas constitucionais, a criação de leis que punem mais severamente os praticantes desses atos. Talvez, dessa maneira, a sociedade possa não repetir os erros do passado e ostentar a ordem e progresso na bandeira nacional.