Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 09/03/2019

Desde o Romantismo, no século XIX, as obras literárias ligavam a imagem feminina a uma conduta de objeto de sedução e submissão ao gênero masculino, valores que, transigiram naquela época. Nos dia hodiernos, o comportamento da sociedade em relação às mulheres, é naturalizado, pois o Brasil ainda vive o reflexo histórico da sociedade patriarcal. Diante disso, apesar da luta pela liberdade feminina em vigor, é notório, as dificuldades enfrentadas para a redução da cultura de assédio no Brasil.

Em primeira análise, a mulher é objetificada desde os tempos antigos, valores morais que enraizaram a cultura de assédio e formam até hoje visão machista sobre o gênero feminino. Constata-se que as mulheres são a maioria das vitimas em casos de violência sexual, cerca de 90% dos casos os agressores são do sexo masculino e que 88% das vítimas são do sexo feminino, segundo os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Desse modo, os casos ocorrem rotineiramente,  independente do espaço e do contexto, mulheres são abordadas e estão sempre propícias ao abuso.

Outro fator importante, o assédio é promovido, devido a desqualificação das vítimas, que passam por diversos entraves para  levar a denúncia do crime para as autoridades, são expostas a julgamentos, com avaliações do caráter de ações, intenção de vestimenta, liberdade de ir e vir e acusações de modismo. Como consequência, ainda são poucas as denuncias, apenas 10% dos casos são denunciados, de acordo com a nota técnica do IPEA. As vitimas dividem parcela da culpa pelo crime de violência sexual, dificultando a punição por tais crimes e minorando a ação dos agressores. Inquestionavelmente, devem ser tomadas medidas urgentemente para a defesa das mulheres.

Evidencia-se, portanto, que o comportamento da sociedade é advindo do reflexo histórico da sociedade patriarcal. É imprescindível, que o Ministério de Educação em paralelo com as instituições educacionais trabalhem para a implementação de projetos e aulas de conscientização sobre os direitos das mulheres, a fim de combater ao assédio sexual e motivar as vitimas a reportarem os crimes. De acordo com Séneca, escritor do Império Romano, tudo o que é enraizado e congênito pode ser atenuado pela educação, mas não vencido. Logo, cabe ao Estado, garantir medidas de proteção, para que as mulheres possam realizar denuncias em segurança e a criação de leis ainda mais punitivas, assim, revertendo o quadro da problemática.