Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/03/2019

O assédio sexual contra mulher possui raízes históricas, culturais e educacionais, principalmente num país como o Brasil, onde a ditadura do patriarcado intensificou essa ideologia, tendo o ser feminino como inferior e “frágil”, sendo por muito tempo excluído das ações políticas e econômicas. Mesmo que muitos passos tenham sido dados devido as lutas por liberdade, representatividade e respeito, o estigma do machismo favoreceu para objetificação da mulher.

Segundo a campanha “Chega de fiu fiu”, 85% das mulheres já tiveram seu corpo tocado publicamente sem a permissão delas, todos os dias milhões de mulheres são agredidas fisicamente e psicologicamente, seja em casa ou na rua, a violência também está presente nos pequenos atos e gestos: ditos populares, piadas, músicas, tudo isso “naturalizado” devido a cultura do estupro, culpabilizando a vítima pela roupa, por andar só na rua, pela submissão ao homem, pelo simples fato de ser uma mulher.  Todos esses fatores geram constrangimento, medo, insegurança, trauma e até mesmo uma aceitação por parte da vítima de que isso é culturalmente natural.

Apesar de haver muitos órgãos de apoio e acusação, eles não são suficientes, pois não são eficazes devido as punições serem lentas e pouco efetivas, prova disso é a reincidência dos casos após a denuncia. A Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, de 2006 a 2011 teve apenas 33,4% dos casos julgados.

Destarte, os órgãos precisam ser aprimorados, com punições efetivas e seguras, aumentando a condenação aos agressores. O governo deve investir em centros de apoio psicológico, palestras orientativas, educação básica e familiar a respeito do tema para quebrar o estigma do machismo na sociedade, pois o assédio sexual não é uma utopia, não é natural, é uma violência.