Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/03/2019

Historicamente, em diversas civilizações da humanidade, presenciou-se uma cultura que dispunha as mulheres como inferior aos homens. No Brasil, em pleno século XXI, vive-se uma arcaica realidade em que o sexo feminino é agredido e violado fisicamente e psicologicamente pelo sexo oposto de forma desumana. Dessa forma, o patriarcalismo ainda se apresenta intenso e contínuo no país, desvirtuando o conceito de “igualdade de gêneros” presente no artigo 5°, inciso I, da Constituição Federal Brasileira.

Segundo estatísticas de pesquisa do Datafolha, é explícito um aumento brusco de casos de assédio sexual decorrentes no cotidiano feminino, o que resulta em uma luta diária contra o “instinto” masculino de sexualizar o corpo das mulheres. Um aspecto de suma relevância para o crescimento de abusos sexuais no país é a erotização realizada pela mídia. Essa é escancarada em publicidades, nos vídeo games, em filmes e revistas, atuando na objetificação do corpo da mulher.

Paralelo a esta situação, a insuficiência de profissionais especializados em corporações policiais e a árdua burocracia para a realização de denúncias acabam sintetizando uma impunidade aos agressores, no caso da vítima acabar optando pela desistência na busca por ajuda. Além disso, há cenários em que as mulheres sentem medo de realizar as denúncias, pois sofrem ameaças constantes do ofensor. Dessa forma, os receios em delatar tais atos para autoridades competentes ocasionam em mais abusos sexuais, assim gerando, eventualmente, o crescimento no número de feminicídios.

É inegável que a criação da Lei Maria da Penha em todas as suas propostas proporcionou uma diminuição nos casos de agressões contra a mulher, tornando-se um marco na luta das mulheres contra a violência. Para torná-la ainda mais eficaz, ações que visem um julgamento mais severo dos agressores, aumentando o tempo prisional mínimo e máximo, devem ser executadas, assim como a diminuição da burocracia exigida para que as denúncias sejam feitas, causa que leva muitas mulheres a desistirem de buscar ajuda. Além disso, a criação de projetos sociais dentro da área educacional é essencial, buscando prevenir a reprodução da mentalidade patriarcalista ainda presente na sociedade brasileira.