Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 02/03/2019

Na antiguidade prevalecia a ideia de superioridade masculina, em que a mulher era vista somente como um objeto sexual, um exemplo é o filósofo Aristóteles, que reproduzia uma ideia de aversão às mulheres, alegando que elas são inferiores e, logo, assemelham-se a objetos. Discursos como este, atrelados às ideias sexistas, contribuem para a defasagem dos direitos femininos e para que o assédio seja visto como uma coisa natural no contexto atual.

Recentemente, diversos casos de assédio envolvendo atores renomados foram investigados. Entre eles o do ator global José Mayer, que foi acusado de assediar uma das figurinistas da emissora. Segundo ela, o ator falava coisas que a deixava constrangida e chegou até a passar a mão em sua genitália. Esse foi apenas um dos diversos casos que acontecem diariamente no país. De acordo com uma pesquisada realizada pela campanha “Chega de fiu-fiu”, que tem como objetivo lutar contra o assédio em locais públicos, 85% das mulheres já tiveram seus corpos tocados sem permissão. Entretanto, quando esse número é comparado ao número de denúncias, nota-se uma enorme discrepância, dado que, na maioria das vezes, a denúncia sequer é investigada. Isso mostra o quanto é necessário e urgente que o assédio seja combatido e que formas de punição sejam criadas.

Assim sendo, devido à falta de investigação, ou imputação, as mulheres se sentem no dever de ajudar umas as outras. Diversos grupos feministas criaram formas de denunciar, como sites, campanhas e até exposição em redes sociais com o uso de hashtags. Um exemplo é a #Somostodaseva, criada pela adolescente Eva Luana, que após 8 anos sendo assediada e torturada - fisicamente e psicologicamente - pelo padastro, resolveu compartilhar sua história no Instagram. A partir daí, pessoas do mundo todo e diversos meios de comunicação compartilharam a hashtag como uma forma de solidariedade. Essa foi uma forma que elas encontraram de se fazer ouvir e de fazer justiça.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver esta problemática. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promover, em escolas e faculdades, palestras ministradas por psicólogos e profissionais da saúde mental, com participação de vítimas de assédio, voltadas não apenas para os alunos, mas para toda a comunidade local, com o objetivo de alertar sobre a importância não apenas de denunciar, mas de não praticar o ato. Por conseguinte, é dever do Ministério da Justiça, em conjunto com o Ministério Público, criar e restituir leis que protejam as mulheres, oferecendo-lhes um respaldo na lei e a garantia de seus direitos, para que assim, se sintam seguras para denunciar, evitando que mais casos como o da Eva se repitam.