Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 11/03/2019

A série Scandal, da produtora norte-americana Shonda Rhimes, retrata em um de seus episódios o caso de uma jovem que desapareceu após ter sua carreira profissional afetada por não ter aceitado ter relações sexuais com seu chefe. Situações como essa ocorrem diariamente, o caso recente de maior visibilidade envolveu a indústria cinematográfica também mas, dessa vez, na vida real, após o jornal The New York Times publicar uma reportagem detalhando denúncias contra o ex produtor Harvey Weinstein por assédio, muitas outras mulheres tomaram coragem e fizeram suas denúncias  envolvendo grandes nomes de Hollywood. O fato é que o assédio sexual é algo recorrente no mundo contemporâneo, está presente no ambiente de trabalho, nas ruas e as vezes até mesmo em casa, assim, são necessárias medidas para reduzir sua incidência.

Primeiramente, é importante lembrar que fatores históricos tornaram o assédio sexual algo intrínseco à sociedade atual. Durante a Idade Antiga e a Idade Média, o modelo familiar era o patriarcal que consistia no homem como figura central, detentora do poder,  e na mulher com papel secundário, cuja função era gerar filhos. Mesmo com o passar do tempo as bases dessa sociedade se mantiveram e deram margem para que a mulher fosse cada vez mais objetificada, tornando os abuso, físicos e verbais, comuns. Como mostra a campanha “Chega de fiu fiu” que entrevistou mulheres de todo o país e  85% delas afirmaram que já tiveram seus corpos tocados publicamente sem permissão.

Ademais, algo que favorece a impunidade do assediador é a dificuldade que a vítima encontra em denunciar o ocorrido. Muitas mulheres se sentem envergonhadas e culpadas pelo assédio que sofreram e acabam não contando para ninguém, outras quando tomam coragem para denunciar, além da burocracia e de ter que reviver o acontecimento ao contá-lo, ainda têm que lidar com os julgamentos de uma sociedade que insiste em culpabilizar a vítima.  Apesar do assédio sexual ser um crime sujeito a pena de 1 a 2 anos de detenção, segundo o Código Penal (Art. 216-A), 26% da população brasileira concorda com a afirmação de que  “mulheres que usam roupas que mostrem o corpo merecem ser atacadas”, segundo a pesquisa realizada em 2014 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Portanto, fica claro que o assédio sexual é algo enraizado na sociedade brasileira, sendo assim, são necessária atitudes para diminuir esses casos. Em primeiro momento, é necessário garantir que os responsáveis pelo assédio sejam punidos, pois muitas vezes mesmo após a denúncia o assediador fica impune. Além disso, é importante que o Ministério da Educação invista em conscientização nas escolas buscando formar crianças e adolescentes que pratiquem o respeito ao próximo, buscando, a longo prazo, reduzir essa prática criminosa e constrangedora que é o assédio.