Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 08/03/2019
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Assim, para que esse organismo funcione de modo igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois em pleno século XXI as mulheres são vítimas de assédio sexual. Desse modo, rever a situação a qual elas estão submetidas é indispensável para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.
Primeiramente, a desigualdade de gênero não é recente nas sociedades e justifica a grande incidência dos abusos. Desde a antiguidade, por exemplo, as mulheres são reduzidas a objeto e tem seu valor medido por suas condutas morais e sexuais, ao passo que os homens não são julgados pelo modo de vestir e portar. Além disso, quando sofrem essa violência verbal e/ou física, são culpadas por estarem chamando a atenção. Essa sequência caracteriza a cultura do estupro e os diversos casos de feminicídio no Brasil todos os anos, deixando as mulheres reféns da própria sociedade.
Ademais, os assédios estão tão naturalizados, que para a maioria, inclusive para uma parcela feminina, são elogios e não ofensas. Somado a isso, as vítimas têm vergonha, medo, se acham realmente culpadas, muitas vezes não reconhecem que estão sendo insultadas e, dessa forma, não denunciam o agressor. Paralelo a isso, ao longo da década de 1980, o feminismo ganha força com o objetivo de alterar essa concepção de dominação masculina, promover o empoderamento e a luta contra todas as formas de opressão. De fato, esse movimento quebrou e tem quebrado muitos paradigmas, fundamentais para a evolução social.
É evidente, portanto, que ainda há entraves na solidificação de medidas a fim de diminuir essa inercial problemática. Diante dessa realidade, é preciso que a justiça trabalhe para um maior adiantamento no processo de julgamento das denúncias feitas e assim se tenha o pleno exercício da lei. Além disso, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério das Comunicações, conjuntamente com as unidades escolares e a mídia deve todos os anos promover campanhas e palestras contra o assédio e demais abusos, inserindo desde cedo nas jovens como identificá-los, como proceder diante deles e após - ao denunciar-, e como forma preventiva, incentivar o respeito a todos os cidadãos, em especial, às mulheres. Certamente, diante desse esforço conjunto, não haverá barreiras capazes de impedir a minimização do problema.