Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/03/2019

Muito se discute sobre o panorama atual da sociedade, em relação à cultura sexista, misógina e machista que as mulheres vivem, mas, ainda que por meio do movimento sufragista e feminista, várias conquistas tenham sido alcançadas, o papel feminino na sociedade é questionado e hierarquizado, contribuindo para todos os tipos de violência diárias que mulheres sofrem.

Em primeiro lugar, o assédio sexual é uma violência (física, verbal e/ou mental), que se caracteriza por investidas sexuais não solicitadas e que ferem a dignidade humana e feminina de uma mulher, e até mesmo, de uma jovem menina. A campanha “Chega de Fiu Fiu” objetiva, justamente, combater ao assédio nos lugares públicos, o que infelizmente, é tido como algo corriqueiro até mesmo pelas próprias mulheres. Há incontáveis relatos de mulheres que sofrem assédio sexual nos ambientes de trabalho, no trânsito, na escola; não há garantia em nenhum lugar que haja respeito pelo ser e pelo corpo feminino.

Nesse contexto, a Organização Internacional de Trabalho se pronunciou sobre relatos de crime dessa natureza, afirmando que o assédio sexual está intimamente ligado ao papel que a sociedade coloca a mulher, nesse contexto, como um mero objeto sexual. Não há dúvidas, nessas diversas situações, que mulheres vivem diariamente desde cedo, que há uma naturalização da sociedade, em relação à comportamentos desrespeitosos, visto que, existe uma relação de poder e hierarquização sexista, que põe a mulher abaixo do homem e privilegia o sexo masculino, justificando comportamentos inadequados como instinto masculino, elogio e “culto” ao corpo feminino.

Em última análise, na pesquisa realizada pela campanha “Chega de Fiu Fiu”, 83% das mulheres declararam não gostar das cantadas recebidas, o que vai de encontro as justificativas sem fundamento citadas. O assédio é uma violência tão banalizada, que o homem se sente livre e confortável, para o bem do ego masculino, a soltar cantadas e objetificar corpos quando bem entender, à medida que a impunidade, proveniente do medo e vergonha, é certeira a maioria dos homens. Cabe ressalvar que um homem assediado por mulheres fortalece o status de macho alfa, enquanto o assédio a mulher só a coloca em um papel de objeto sexual.

Dessa forma, os movimentos feministas devem reivindicar e seus plenos direitos a sociedade e órgãos competentes, por meio de campanhas, atos e reuniões, a saber que a luta feminina por direitos que deveriam ser seus por natureza precisam ser solicitados. A sororidade entre as mulheres - feministas ou não - é necessária, pois algumas mulheres, por medo, naturalizam o crime de assédio O governo também deve criar leis mais rígidas e fortalecer as existentes, sobre tal comportamento, pois se configura como crime, e deve ser combatido a fim de que as mulheres possam ser respeitadas.