Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 11/03/2019
Da ficção ao real
A telenovela “ Malhação: Viva a Diferença” conta a história da personagem K1, uma menina bastante extrovertida. A trama é marcada por cenas de assédio sexual e perseguição sofrida pela personagem, em que seu padrasto é o principal responsável. Para além das telas, o cenário ocorre de forma análoga com várias mulheres e nos mais diversos ambientes. Em virtude disso, deve-se cogitar sobre os desafios para reduzir os casos de assédio sexual no Brasil, o qual se deve a fatores culturais e silêncio por parte dos assediados.
Em primeiro lugar, a questão cultural contribui para a persistência desse problema. Isso ocorre porque, ainda no século XXI, a sociedade sustenta uma espécie de determinismo biológico em relação às mulheres, assim como a imagem do homem patriarcal. Esse pensamento sempre esteve presente, como por exemplo, na posição do “Senhor do Engenho”, consequentemente foi criada uma noção de inferioridade da mulher em relação ao homem, uma vez que esse subjuga possuir direitos sobre o sexo oposto. Dessa forma, atos de assédio são naturalizados e praticados com frequência nos mais variados espaços, pois partem de uma premissa da construção social.
Além do mais, as vítimas se silenciam perante a situação e não denunciam os casos, corroborando para a continuidade do problema. Isso acontece, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, por alguns motivos: medo do assediador, posição hierárquica no ambiente de trabalho, medo de perder o emprego e culpabilização das vítimas. Segundo o Datafolha, quatro em cada dez brasileiras (42%) relatam já ter sofrido assédio sexual. Diante disso, os casos persistem, pois o assediador, por não ser advertido, continua a importunar seu alvo, por consequência pode surgir situações mais constrangedoras e agressivas como abuso e violência.
Salienta-se, portanto, que os aspectos culturais e falta de denúncia colaboram para a problemática. Nesse contexto, para ter uma efetividade legal, as secretarias estaduais e municipais devem, por meio de projetos educativos e palestras, educar crianças e adolescentes quanto à igualdade de gênero, para que esses desenvolvam uma postura ética quanto ao tema. Somando-se a isso, as denúncias sofridas ou presenciadas são um ponto crucial para reduzir os assédios. Sendo necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos intensifique projetos de conscientização com foco na delação, sendo através de palestras e campanhas publicitárias. Em que, os assediados não se reprimiam e busquem por ajuda. Assim como, garantir proteção para as vítimas e punição para os acusados. Dessa forma o país deve superar esse contratempo.