Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 04/03/2019
Para iniciar uma reflexão sobre a forma de reduzir os casos de assédio sexual, deve-se retomar um pouco da história da cultura ocidental, um pouco mais especificamente sobre a relação homem e mulher. Desde a pré-história o homem, possuidor de um falo, detinha o poder sobre as mulheres, crianças e sua família em geral. Estes últimos, sempre submissos a sua vontade deveriam fazer o que seu patriarca desejava e servi-lo em suas vontades.
Quando pensamos em vontades colocamos em jogo o corpo da mulher como objeto de posse deste homem que até então, a partir do casamento, era “dono” de sua esposa. Ou seja, ao desposar de uma mulher o homem a tornava sua propriedade podendo usar-la da forma como bem entender. O corpo da mulher pertencia a seu marido.
Muitos séculos se passaram, muitas lutas foram travadas em busca de quebrar essa hegemonia masculina e dar voz e força as mulheres. E hoje temos direitos conquistados que se violados são considerados crimes inafiançáveis. Porém, muitas leis ficam no papel se não mudarmos esta ainda presente cultura patriarcal de poder masculino.
Foucault em seu livro história da sexualidade nos diz que a sexualidade desde a era vitoriana ficou entre quatro paredes e impedida pelos discursos silenciosos de ser debatidos nos meios públicos. Esse discurso silencioso esta presente nos dias atuais quando não permitimos que a mulher tenha voz em denunciar uma agressão, quando não acreditamos em sua fala ou quanto permitimos falas machistas de poder masculino colocando a mulher como objeto submisso.
Para se mudar um crime de assedio sexual, devemos iniciar mudando o pensamento social sobre a sexualidade e o silenciamento desde discurso do privado para o publico, ensinando que o corpo é de direito da mulher e inviolável; que sua voz deve ser ouvida e quando denunciada deve ser defendida. De forma, que todos em todos os momentos achem inconcebível desrespeitar o corpo de um ser humano seja ele quem for.