Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 07/03/2019

Historicamente as sociedades ocidentais foram construídas em bases patriarcais. Tal fato evidencia-se através do papel das mulheres socialmente aceito até séculos passados: cuidar de seu lar, seus filhos e não ter direito à participação política. Entretanto, no século XX, intensificaram-se as lutas feministas visando à igualdade de direitos e melhor participação desse sexo na sociedade. Nesse cenário, constata-se que de fato a mulher conseguiu ocupar novos espaços, contudo, enfrenta a problemática da violência, incluindo o assédio sexual, situação enfrentada cotidianamente que se revela danosa e enfrenta desafios para ser solucionada.

Em um primeiro plano, cabe analisar que a banalização de práticas de assédio sexual na sociedade gera dificuldade para extingui-lo. Nesse sentido, observa-se que piadas, toques, assobios enquanto nas ruas e olhares atenciosos para o corpo da mulher acabam passando despercebidos e são perpetuados por diferentes gerações, constrangendo as vítimas e deixando-as indefesas perante tais situações. Com isso, complica-se a denúncia dos assediadores e sua devida punição. Segundo estatística da organização ActionAid, 86% das mulheres brasileiras já foram assediadas em público, portanto, é claro o enraizamento dessa ação no comportamento do brasileiro.

Ademais, constata-se que a omissão do Estado nessa situação colabora para que os homens não sejam devidamente educados pela díade família e escola e não sejam controlados, facilitando assim, a retirada da dignidade do sexo feminino em qualquer ambiente. Apesar de recentemente ter sido aprovada a lei que criminaliza a importunação sexual, segundo registros da polícia de São Paulo, em transportes públicos, ambientes de responsabilidade estatal, a cada 22 horas uma pessoa é vítima desse crime. Além disso, a situação foge do controle até da escola, que no lugar de construir indivíduos aptos para a vida em sociedade, representa mais um lugar para a prática do assédio, como o que comprovou o movimento ocorrido em 2018, no qual estudantes cariocas denunciaram nas redes sociais casos de professores assediando alunas.

Diante do supracitado, torna-se evidente que o assédio sexual precisa ser combatido com urgência. Para isso, cabe ao Ministério da Educação - setor que detém influência nas escolas de todo o país - orientar todos os estudantes sobre o erro de atormentar as mulheres. Isso pode ser feito através da criação de uma disciplina obrigatória a partir do Ensino Fundamental, que capacite os estudantes de discernir práticas maléficas ao convívio social. Tal medida tem como objetivo criar jovens preparados para o exercício da igualdade, que não violentem verbal ou fisicamente os demais. Afinal, parafraseando com o filósofo Kant, o homem é aquilo que educação faz dele.